Cooperados de reciclagem em frente a galpão com caminhão e empilhadeira novos

Nunca esqueço da primeira vez que ouvi falar da história dos catadores que, décadas atrás, enfrentavam o aterro de Canoas sem nenhum tipo de reconhecimento, contrato ou abrigo físico. Era final dos anos 1970, começo dos anos 1980, e quase tudo ali tinha nome de luta e suor. Ninguém estava ali por curiosidade, mas sim por pura necessidade. Arrisco dizer que, ao mergulhar nessas histórias, me dei conta de quanto o Brasil deve a essas pessoas que transformam o “lixo” em destino, em renda, em cidadania.

A jornada da Cooperativa de Trabalho de Reciclagem Renascer começa exatamente assim, em Canoas, Rio Grande do Sul. Catadores enfrentando chorume até os joelhos, trabalhando num espaço sem galpão, à margem da formalidade, sem qualquer apoio institucional. Cada pedaço de papel entregue ao vento era, na verdade, um ato silencioso de resistência. Posso imaginar que tenha sido difícil, até penoso, sobreviver desse jeito.

Não demorou para a luta por dignidade virar insistência. Os anos passaram. Entre muitos percalços, a conquista mais esperada chegou apenas em 2012: um galpão de madeira, simples, porém fundamental. Foi quando a cooperativa começou a tomar forma. Dali partiram para novos desafios, e, com o tempo, se formalizaram legalmente, garantindo mais proteção e conquistas coletivas.

A mudança para o bairro Guajuviras e a entrada no programa municipal de coleta seletiva “Canoas Recicla com a Gente” deram novo fôlego à trajetória. Agora, a cooperativa tinha nome, endereço e voz.

Anos depois, em 2022, parte dessa história virou livro, publicado pela Editora Unilasalle. Li relatos que não escondem as cicatrizes, mas também revelam sonhos e vitórias. A coordenadora Michele Ferreira dos Santos diz, com firmeza:

“A cooperativa é gente.”
E é mesmo.

Raízes de luta, passos de coragem

Em minha análise, a cooperativa hoje conta com cerca de 32 pessoas ativas, trabalhadores que mantêm vivo o ideal coletivo. Não é diferente do que vejo em cooperativas espalhadas pelo país: desafios estruturais e operacionais, especialmente para transporte e logística. O caminhão, por exemplo, está longe de ser ideal. A cada quebra, a operação para e é preciso recorrer ao frete terceirizado. Além disso, sem empilhadeira, sobra para o braço humano tudo aquilo que deveria ser automatizado.

Cooperados da Renascer movimentando recicláveis manualmente

Os impactos desse gargalo recaem sobre todos os envolvidos. Quando o caminhão falha, o material demora a chegar, perde valor e a renda dos cooperados diminui. Além disso, carregar toneladas manualmente expõe os trabalhadores a riscos ergonômicos. O maior entrave? Não é falta de motivação: é estrutura.

O que fica mais claro para mim é que, se queremos de fato mudar a reciclagem no Brasil, precisamos falar de ferramentas, máquinas, galpões e logística funcional. Discursos motivacionais não carregam caminhão, nem empilham fardos de papel.

A virada de 2025: aprovação do projeto na Lei de Incentivo à Reciclagem

Em 20 de outubro de 2025, finalmente, um passo histórico: a proposta 202500032366 da Cooperativa Renascer foi aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente no Edital 2025-00001 da Lei de Incentivo à Reciclagem. A aprovação autoriza a captação de até R$ 963.800,00, dos quais R$ 298.800,00 são para custeio e R$ 665.000,00 para investimento em infraestrutura, sem exigir contrapartida. O prazo de execução do projeto é de 12 meses.

Li atentamente as diretrizes: o objetivo central do projeto é fortalecer a infraestrutura logística da cooperativa, aumentando o volume reciclado, reduzindo o envio de resíduos para aterros e melhorando as condições de trabalho. Isso também dá maior poder de negociação à cooperativa diante de empresas, indústrias e prefeituras. Não é pouca coisa.

É nesse momento que vejo a LIR (Lei de Incentivo à Reciclagem) fazer sentido real na vida de quem está na ponta da cadeia. A aprovação não representa dinheiro imediato: só com o apoio de contribuintes, pessoas físicas ou empresas do Lucro Real, o valor da captação poderá de fato transformar a cooperativa.

  • Empresas do Lucro Real podem direcionar até 1% do IRPJ devido;
  • Pessoas físicas podem destinar até 6%;
  • O valor é redirecionado, não há aumento de custo.

Ou seja, é deixar de recolher integralmente para o governo e passar a destinar parte do que já seria pago diretamente para o projeto, mudando de verdade a realidade da cooperativa. Veja também detalhes sobre os impactos da aplicação do novo ciclo da Lei de Incentivo à Reciclagem em 2026.

A sensação de transformar imposto em investimento social é poderosa. Já escrevi sobre outros mecanismos semelhantes, como a Lei Rouanet, mas a aplicação na cadeia da reciclagem traz um valor ambiental direto, com menos lixo em aterros e mais geração de renda local.

Galpão simples de coleta seletiva em Canoas, com reciclagem em andamento

O desafio estrutural e o impacto direto

Ao falar de desafios, não posso deixar de destacar o maior deles: falta de infraestrutura. A Renascer precisa urgentemente de um caminhão novo e de uma empilhadeira. Sem esses equipamentos, o volume diário processado é baixo e a produtividade fica limitada. Infelizmente, no cenário atual, atrasos na coleta são frequentes e parte do material acaba sendo deslocado para frete terceirizado, encarecendo o processo e diminuindo a renda coletiva.

Não basta incentivar, é necessário equipar. Muitas vezes, debates sobre reciclagem param em campanhas de conscientização, mas, como vejo na prática, o que realmente transforma são investimentos em ativos logísticos.

O apoio financeiro aprovado via projeto LIR abre uma janela rara para superar o gargalo estrutural. E tudo isso só foi possível graças à regulamentação recente da Lei de Incentivo à Reciclagem, que autorizou não apenas a captação, mas também o uso do recurso para investimento e custeio.

  • Adquirir caminhão próprio novo;
  • Comprar empilhadeira para movimentação interna de fardos e materiais pesados;
  • Reduzir acidentes e melhorar ergonomia dos cooperados;
  • Diminuir custo operacional com frete externo;
  • Ampliar volume processado e renda dos cooperados.

Reconhecimento, transparência e visibilidade

Gosto de lembrar que, além dos ganhos práticos, o projeto aprovado serve para mostrar ao Brasil o potencial das cooperativas. Desde a publicação do livro dos cooperados em 2022 até o reconhecimento pelo Ministério do Meio Ambiente em 2025, a história da Renascer foi de invisibilidade à notoriedade.

“A cooperativa é gente.”
Volto sempre a essa frase de Michele, porque traduz o que realmente importa quando pensamos em políticas públicas de reciclagem. O sucesso do projeto passa por cada trabalhador, cada família impactada.

Reunião histórica dos cooperados da Renascer discutindo estratégias

A transparência é não só obrigatória, mas também desejada. O projeto aprovado está detalhado em plataformas especializadas, permitindo acompanhamento rigoroso de todo o ciclo, desde a captação até a entrega dos resultados finais. E isso gera confiabilidade, inclusive para quem decide destinar parte do imposto devido.

Quem se interessa pode conferir mais sobre os projetos já aprovados na Lei de Incentivo à Reciclagem e entender o alcance transformador dessa política.

Como funciona o processo de captação pelo projeto LIR aprovado

O funcionamento é simples e totalmente digital. Após aprovação pelo Ministério do Meio Ambiente, o projeto da Cooperativa Renascer fica disponível na plataforma Conecta LIR, que faz todo o acompanhamento da jornada: desde o cadastro até o match com empresas do Lucro Real dispostas a destinar parte do IRPJ devido, sempre com respaldo documental e compliance automatizado.

Quem investe, tem ainda relatórios detalhados de impacto, fundamentais para as estratégias ESG e para a prestação de contas junto ao mercado. Empresas e pessoas físicas passam por um processo transparente, digital, integrado com o sistema do governo, sem burocracias extras.

  • Cadastro online;
  • Escolha do projeto e confirmação do interesse;
  • Processo tributário guiado digitalmente;
  • Registro da operação em plataforma oficial.

Essa jornada pode ser acompanhada passo a passo. Para quem tem interesse em cadastrar ou inscrever projetos na LIR, há um guia detalhado com todas as orientações para inscrições de projetos na Lei de Incentivo à Reciclagem.

Logo da Conecta LIR com texto Transformando Imposto em Impacto

Na minha pesquisa, vejo que o sistema, mediado pela Conecta LIR, garante segurança jurídica e oferece benefícios a empresas, como relatório de impacto e conexão automática com projetos adequados ao perfil do investidor.

O caminho da captação: de quem depende?

Agora que a Renascer venceu a primeira etapa e tem o projeto LIR aprovado, o desafio mudou de endereço. Para os recursos chegarem de fato, dependem do apoio de pessoas físicas e empresas pagadoras de imposto. Mudar a lógica de recolhimento automático para destinação consciente é o próximo passo da revolução.

Nenhum centavo sai do bolso a mais, mas um pequeno gesto traz impacto social, ambiental e econômico local. Em minha opinião, há uma responsabilidade de todos nós que acreditamos em cidades mais limpas e justas.

O ciclo é assim: o projeto é aprovado, entra na plataforma, o contribuinte faz a destinação – e o dinheiro oficializa uma nova chance para quem trabalha pela reciclagem no Brasil. Mais detalhes sobre o processo completo estão disponíveis em passos para a captação de investimento para a LIR.

Caminhão da cooperativa Renascer operando coleta urbana

O papel da Conecta LIR para o futuro da reciclagem

A Conecta LIR surge como a ponte entre projetos sociais relevantes e empresas ou pessoas interessadas em investir parte do imposto devido diretamente em transformação concreta. Não é sobre caridade, é sobre responsabilidade fiscal, ambiental e cidadã.

O poder da iniciativa está em facilitar o acesso – deixando claro o impacto do investimento, tanto para quem contribui quanto para quem opera na ponta. O ciclo de acompanhamento é contínuo e transparente.

Se você quer conhecer projetos similares, entender como direcionar recursos ou se inspirar em experiências de quem já faz a diferença, acesse o guia prático de incentivos à reciclagem no Brasil e aprofunde-se no tema.

Depois de quase 50 anos: uma conquista coletiva

Minha reflexão pessoal é simples e direta: foram quase cinco décadas até a Cooperativa Renascer conquistar um projeto aprovado para captar recursos importantes sob a bandeira da Lei de Incentivo à Reciclagem. Agora, o futuro depende da nossa capacidade de nos unir como sociedade e transformar imposto em impacto.

Reforço que nenhum avanço é solitário. Quem contribui, mesmo sem sair de casa, faz parte deste resultado. A aprovação do projeto é só o começo de mais um capítulo de luta pela dignidade dos catadores e pelo avanço da reciclagem em Canoas.

Convido você a conhecer mais e participar: acesse a plataforma Conecta Lir e descubra como ajudar a Cooperativa Renascer a avançar ainda mais.

Conclusão

Escrever sobre o avanço da Cooperativa de Trabalho de Reciclagem Renascer reforça minha crença de que inovação social só acontece quando se reconhece a história e se aposta em soluções estruturais. A Lei de Incentivo à Reciclagem é um passo concreto para conectar sonhos e garantir dignidade para quem está na linha de frente da reciclagem. Após anos batalhando no anonimato, os cooperados podem, enfim, ampliar seu impacto, contando com o apoio consciente de quem paga imposto.

Se você acredita em uma sociedade mais justa e sustentável, recomendo fortemente que conheça o projeto da cooperativa na plataforma Conecta Lir e veja como transformar imposto devido em desenvolvimento local e cidadania.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o Projeto LIR?

O Projeto LIR é uma iniciativa regulamentada pela Lei de Incentivo à Reciclagem, que autoriza projetos previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente a captar recursos diretamente do imposto devido de pessoas físicas e jurídicas, redirecionando o valor que seria pago ao governo para financiar iniciativas de reciclagem e economia circular. No caso da Cooperativa Renascer, o projeto aprovado em 2025 é destinado a renovar a infraestrutura logística para ampliar o impacto da reciclagem local.

Como funciona a nova lei de reciclagem?

A Lei de Incentivo à Reciclagem, regulamentada em 2024, permite que empresas do Lucro Real destinem até 1% do IRPJ devido e pessoas físicas até 6% do imposto de renda para projetos de reciclagem previamente autorizados pelo Ministério do Meio Ambiente. Esses valores são redirecionados, ou seja, não representam gastos adicionais, mas uma escolha consciente de onde investir parte do imposto que já seria recolhido. Os projetos favorecidos promovem melhorias ambientais e sociais, criando novos postos de trabalho na cadeia da reciclagem.

Quais os benefícios para a Cooperativa Renascer?

O maior benefício para a Cooperativa Renascer é o fortalecimento da sua infraestrutura, especialmente com aquisição de caminhão novo e empilhadeira. Isso viabiliza aumento significativo do volume de material processado, maior autonomia para negociar com grandes parceiros e melhoria nas condições de trabalho. Além disso, a visibilidade e o reconhecimento local e nacional proporcionados pela LIR potencializam o impacto social e ambiental da cooperativa em Canoas.

Como participar da Cooperativa Renascer em 2026?

Quem deseja atuar como cooperado pode buscar informações diretamente na sede da Renascer, no bairro Guajuviras, em Canoas. Interessados em apoiar o projeto podem destinar parte do imposto devido para a cooperativa acessando a plataforma Conecta Lir. Empresas e pessoas físicas que queiram multiplicar impacto social e ambiental têm, agora, um canal estruturado, prático e transparente para participar e acompanhar os resultados.

Vale a pena investir em reciclagem com LIR?

Sim, investir em reciclagem por meio da LIR é uma forma direta de transformar imposto devido em impacto mensurável ao meio ambiente e à sociedade, sem custo adicional. É um investimento com retorno social garantido, que contribui para cidades mais limpas, trabalhadores mais valorizados e empresas mais conectadas às boas práticas de ESG.

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Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

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