Painel com gráficos de captação da Lei de Incentivo à Reciclagem e pilhas de materiais recicláveis ao fundo

Quando olho para o avanço da Lei de Incentivo à Reciclagem no Brasil, vejo uma transformação que vai muito além de números. O mecanismo legal, que permite a canalização de parte do IRPJ de empresas optantes pelo Lucro Real para financiar projetos ligados à circularidade e resíduos, provoca mudanças palpáveis em todo o setor. O cenário de 2025 e as perspectivas para o novo ciclo de 2026 desenham um retrato de oportunidade, desafios e aprendizados bastante nítidos.

O cenário de projetos e investimentos em 2025

Em outubro de 2025, assisti ao fim do primeiro ciclo de recebimento de propostas, contabilizando 952 projetos protocolados de 26 estados brasileiros. Um recorde que representa R$ 2,2 bilhões pleiteados para iniciativas de economia circular e gestão de resíduos sólidos – um indicativo do interesse crescente de entidades privadas, públicas e do terceiro setor segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.

Entretanto, só uma fração dos valores solicitados foi efetivamente captada no ano, e a concentração de recursos em poucos projetos maiores se tornou uma marca desse processo. O painel da Conecta LIR ilustra essa realidade, apresentando 165 projetos aprovados em fase de captação, mas a previsão de recursos mobilizados ficou, até o fim do ciclo, em aproximadamente R$ 140 milhões frente ao montante pleiteado.

Esse descompasso entre valores aprovados e valores captados também aparece quando cruzo dados divulgados oficialmente e a experiência que tive junto à Conecta LIR: para grande parte das propostas (especialmente as de menor porte), a captação efetiva foi um desafio, enquanto poucos projetos robustos superaram a marca de milhões captados.

Por que alguns projetos captam mais?

Observando os dados, percebi que os fatores que diferenciam os projetos que conseguem atrair volumes relevantes de recursos vão além do próprio mérito ambiental ou do escopo técnico detalhado:

  • Estratégia comercial ativa e capilaridade nas redes de contato.
  • Capacidade de comunicação do impacto e alinhamento claro às exigências ESG das empresas aportantes.
  • Atratividade regional e porte consolidado da entidade proponente.
  • Histórico de boas práticas em prestação de contas e transparência pública.
  • Inclusão objetiva de cooperativas e catadores, respondendo às exigências da Portaria GM/MMA nº 1.250/2024.

Esses pontos foram recorrentes nos projetos que ocuparam o topo dos rankings de captação. Essa constatação ficou muito clara quando estudei iniciativas como o projeto Valora em São Paulo, que obteve captação mínima superior a R$ 1,5 milhão, principalmente por fortalecer cooperativas com tecnologia e estrutura profissional.

Perfil dos maiores projetos financiados

Os “campeões” em mobilização de recursos apresentam, em geral:

  • Grande abrangência regional, atendendo não só capitais, mas redes de municípios e cooperativas;
  • Parcerias estratégicas com empresas de referência;
  • Peso na geração de emprego e renda documentada;
  • Relatórios de impacto já auditados e publicados, ilustrando a efetividade do modelo LIR.

O relatório anual de projetos exemplares, disponível em projetos da lei de incentivo à reciclagem e seus resultados concretos, comprova: uma boa articulação de equipe comercial e diversificação dos depositantes são variáveis decisivas entre o sucesso e a estagnação.

Análise das taxas de captação

Mesmo diante de um recorde de propostas apresentadas, cerca de 20% dos projetos aprovados não captaram nenhuma quantia até fim de 2025. Entre os que captaram, a distribuição é bastante desigual: os 10 maiores projetos absorveram mais de 50% dos valores movimentados.

Estrada sinuosa verde com plantas e montanhas ao fundo e símbolo de reciclagem circular em destaqueEsse cenário coloca em evidência a necessidade de profissionalização do setor, com treinamento para articulação comercial, fomento de parcerias multissetoriais e uso adequado das plataformas de match entre empresas e projetos, como a Conecta LIR proporciona.

O papel da legislação e regulamentações recentes

Com a regulamentação mais detalhada da LIR em 2024 e a publicação da Portaria GM/MMA nº 1.250/2024, os parâmetros ficaram mais claros. O foco passou a ser a inclusão de cooperativas e a garantia do uso adequado dos recursos, com rigor na apresentação, prestação de contas e avaliação dos impactos sociais segundo a norma federal.

Além disso, o novo ciclo de inscrições já está aberto, com prazo até 30 de julho de 2026, e a tendência é de mais projetos concorrendo por fatias limitadas do recurso disponível. Quem conseguir apresentar diferencial competitivo – na articulação e na transparência – terá mais chances de sucesso conforme informações do Ministério do Meio Ambiente.

A força do agrupamento de depositantes e articulação das parcerias

Um dos pontos mais discutidos entre especialistas em ESG se mostra verdadeiro na prática: projetos que apostam na diversificação dos depositantes, articulando desde grandes grupos empresariais até médias empresas regionais, são os menos vulneráveis às variações de mercado.

Nesse sentido, a plataforma Conecta LIR concentra esforços para facilitar a apresentação, negociação e cumprimento dos critérios exigidos para captação nesse modelo tributário. Acompanhando usuários da plataforma, notei como a curadoria e suporte personalizado têm sido diferenciais tanto para quem capta quanto para quem investe.

Como preparar projetos para captar em 2026?

Com base na minha experiência, deixo alguns conselhos práticos para quem pretende captar investimentos este ano:

  • Leia atentamente as orientações sobre inscrição de projetos disponibilizadas em como inscrever projetos na lei de incentivo à reciclagem 2026;
  • Invista em comunicação clara do propósito e dos benefícios sociais gerados pela iniciativa;
  • Valorize parcerias que credenciem e validem sua atuação, mostrando confiabilidade ao mercado;
  • Lembre-se de diversificar o perfil dos depositantes e não depender de um único grande investidor;
  • Explore exemplos bem-sucedidos detalhados em projetos de impacto da LIR e inspire-se em suas estratégias.

Se o desafio parecer grande, indico o conteúdo especial sobre como captar recursos através da LIR e o material sobre captação de investimento para a lei.

Conclusão

A Lei de Incentivo à Reciclagem criou, de fato, um ecossistema em transformação no setor de resíduos. Os melhores resultados vieram para projetos que souberam unir excelência técnica, comunicação clara e articulação comercial.

Transformar imposto em impacto ambiental real depende de profissionalização.

Se você tem um projeto ou empresa e quer fazer parte dessa mudança, recomendo conhecer mais a fundo a plataforma Conecta LIR, que já é referência nacional nesse elo entre quem deseja investir de forma sustentável e quem busca recursos para inovar e gerar resultados positivos para a sociedade. O futuro da reciclagem está em nossas escolhas – e agora é possível fazer parte disso de maneira simples, transparente e conectada.

Perguntas frequentes

O que é a Lei de Incentivo à Reciclagem?

A Lei de Incentivo à Reciclagem é um instrumento federal que permite a empresas tributadas pelo Lucro Real destinarem até 1% do seu IRPJ para apoiar projetos voltados à cadeia da reciclagem, promovendo economia circular, inclusão social e inovação em soluções ambientais.

Como funciona a captação de recursos para reciclagem?

A captação acontece após a aprovação do projeto pelo Ministério do Meio Ambiente e publicação no SINIR. Os projetos ganham autorização para apresentar propostas às empresas, que podem investir via dedução fiscal. O processo é monitorado e transparente, com regras detalhadas em portaria específica publicada pelo MMA.

Quais projetos podem ser inscritos na lei?

Podem se inscrever projetos ligados à circularidade, compostagem, pontos de entrega voluntária, formação e apoio a cooperativas, inovação em resíduos, desde que cumpram os critérios técnicos e legais especificados pelo governo federal.

Vale a pena investir em projetos de reciclagem?

Para empresas, investir em projetos aprovados garante compliance fiscal, visibilidade em ESG e nenhum custo extra. Além disso, as iniciativas contribuem diretamente para soluções ambientais e impacto social, facilitando o alcance de metas sustentáveis e reputação positiva no mercado.

Onde encontrar informações sobre projetos aprovados?

As listas completas de projetos aprovados e autorizados a captar recursos podem ser consultadas nos canais oficiais do Ministério do Meio Ambiente e também na plataforma Conecta LIR, onde é possível acompanhar o histórico, resultados e oportunidades de parceria.

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Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

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