Quando me envolvi com o tema da reciclagem há alguns anos, percebi o tamanho do desafio para mudar nosso cenário ambiental. No Brasil, estimativas mostram que apenas 8% do lixo produzido é reciclado. Sempre acreditei que, para transformar essa realidade, seria preciso um incentivo estruturado, transparente e com impacto real. Foi com esse olhar que vi o crescimento da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), especialmente após a publicação da Portaria SQA nº9/2025, e agora quero compartilhar minha experiência e análise sobre os avanços – e principalmente sobre os R$ 634 milhões já em execução em 296 projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O panorama atual da LIR no Brasil
A Lei 14.260/2021, que institui a LIR, trouxe um novo respiro para o setor de resíduos sólidos. Essa legislação inovadora autoriza empresas tributadas pelo lucro real a destinarem até 1% do IRPJ devido para financiar projetos de reciclagem devidamente aprovados. Uma das grandes novidades aconteceu no final de 2025, quando a Portaria SQA nº9/2025 consolidou mais um bloco de iniciativas autorizadas, ampliando o alcance da lei para diversos municípios, cooperativas, pequenas empresas, centros de pesquisa e organizações civis.
O resultado? Um total já em captação e execução de R$ 634 milhões, mobilizando recursos de forma inédita para quem mais precisa.
Ver o dinheiro do imposto virar impacto na prática é um divisor de águas.
Importante lembrar que, conforme dados do Ministério do Meio Ambiente, no ciclo mais recente, foram recebidos 952 projetos de reciclagem, somando R$ 2,2 bilhões em propostas apresentadas em 26 estados. Essa adesão massiva destaca o amadurecimento da economia circular e da gestão de resíduos no País (MMA - Lei de Incentivo à Reciclagem).

Como funcionam os projetos aprovados?
A primeira vez que analisei um edital da LIR, fiquei impressionado com o rigor dos critérios técnicos. Só entram projetos que comprovem transparência, viabilidade técnica e impacto social concreto. A Portaria GM/MMA nº 1.250/2024, por exemplo, reforçou regras para apresentação, análise, aprovação, monitoramento e prestação de contas, tudo para garantir integridade no uso dos recursos públicos (Portaria GM/MMA nº 1.250/2024).
Além disso, o SINIR (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos) mantém uma lista pública e atualizada dos projetos aprovados e em captação, tornando mais fácil a identificação de iniciativas confiáveis para apoio financeiro – uma transparência muito necessária hoje em dia (lista pública dos projetos SINIR).
Destaco na minha vivência que, ao contrário de iniciativas restritas, as propostas apoiadas pela Lei de Incentivo abrangem:
- Assistência direta a catadores de materiais recicláveis;
- Fortalecimento de cooperativas;
- Apoio a centros de pesquisa, inovação e tecnologia aplicada;
- Ampliação da gestão municipal de resíduos;
- Projetos educativos em escolas e comunidades.
Como os recursos estão transformando a realidade?
Entre as histórias mais marcantes que acompanhei, vejo o impacto de projetos que vão bem além da coleta seletiva. Muitos deles investem em educação ambiental e engajamento social, desenvolvendo metodologias que conectam crianças, jovens e adultos a práticas sustentáveis do dia a dia.

Posso citar exemplos de centros de pesquisa utilizando parte desses recursos para criar tecnologias de triagem, logística e reaproveitamento eficiente de resíduos, acelerando o desenvolvimento da economia circular e a geração de empregos em níveis locais. Há também projetos de pequenas empresas focadas em inovação para reaproveitamento de resíduos, que já apresentam resultados consistentes.
Em escolas, os projetos aprovados vêm promovendo educação ambiental integrada ao currículo, trabalhando desde oficinas práticas de reciclagem até gincanas que envolvem não só alunos, mas famílias e comunidades inteiras. Essa abordagem estimula o senso coletivo de responsabilidade e prepara as novas gerações para decisões mais conscientes.
Na minha análise, esses projetos contribuem para algo além do meio ambiente: estão formando cidadãos comprometidos com o futuro, dispostos a atuar por cidades mais limpas e justas.
A força da plataforma Conecta LIR para potencializar resultados
No contexto nacional, sinto orgulho em destacar a atuação da Conecta LIR. Essa iniciativa é pioneira ao reunir projetos já aprovados, facilitar o match entre empresas e iniciativas, garantir o compliance automático e oferecer curadoria ESG especializada para empresas e proponentes.
Por meio da plataforma, as empresas conseguem identificar de maneira rápida e segura quais projetos estão aptos a receber recursos, acompanhar indicadores de impacto e produzir relatórios de sustentabilidade. Coletei depoimentos de gestores que finalmente conseguiram alinhar estratégia tributária, benefícios sociais e meio ambiente – tudo em um mesmo processo.
Outro ponto relevante: a ferramenta garante acompanhamento contínuo e muito mais transparência. Do cadastro ao incentivo financeiro, cada etapa é clara para todos os envolvidos. E isso gera confiança tanto para quem investe, quanto para quem executa os projetos.
Indicadores e oportunidades para 2026
Os dados do primeiro ciclo confirmam o potencial do mecanismo. Em 2025, a LIR já havia alcançado 296 projetos em andamento, somando R$634 milhões captados e executados, envolvendo desde catadores até centros de pesquisa. E a projeção para 2026 é ainda maior. Estima-se que poderemos bater o recorde de R$2,2 bilhões em investimentos e ampliar o número de projetos, beneficiando mais estados, municípios, cooperativas e empreendedores.Iniciativas como as do Banco do Nordeste também reforçam a inclusão regional e o apoio direto a quem mais precisa (editais e programas do Banco do Nordeste).
A expectativa do setor é de rápida evolução, ainda mais com o suporte da força-tarefa do MMA, criada para acelerar análise e aprovação de propostas, especialmente as enviadas por cooperativas e pequenas empresas (força-tarefa do MMA).

Conclusão
Com base em toda essa movimentação, acredito firmemente que a Lei de Incentivo à Reciclagem já está mudando o perfil do investimento socioambiental no Brasil. A transformação está apenas começando. Seja você empresa, gestor público ou cidadão, convido a conhecer a plataforma da Conecta LIR, saber mais sobre os projetos aprovados, os cases de maior impacto e o guia prático para quem quer investir de verdade no futuro sustentável: guia prático para empresas.
Se em 2025 já celebramos R$634 milhões investidos em 296 iniciativas de reciclagem, imagino o quanto poderemos conquistar juntos em 2026. Estou confiante: nosso imposto virou impacto. E este é só o começo.
Perguntas frequentes sobre a Lei de Incentivo à Reciclagem
O que é a Lei de Incentivo à Reciclagem?
A Lei de Incentivo à Reciclagem (Lei 14.260/2021) permite que empresas tributadas pelo lucro real direcionem até 1% do IRPJ para projetos de reciclagem aprovados pelo governo. O objetivo é promover a economia circular, a gestão de resíduos e o desenvolvimento sustentável no Brasil.O recurso destinado é dedutível e não representa custo adicional para a empresa.
Como participar de projetos de reciclagem?
Participar pode ser simples: empresas devem buscar plataformas como a Conecta LIR, cadastrar-se, escolher projetos aprovados e realizar o investimento através do IRPJ devido. Os projetos seguem critérios técnicos e legais para garantir o impacto social e ambiental. Pessoas físicas podem se envolver participando de ações educativas, doando resíduos ou promovendo campanhas de conscientização.
Quais projetos já foram aprovados pela lei?
Já foram aprovados projetos em diversas áreas: cooperativas de catadores, centros de pesquisa, pequenas empresas inovadoras, municípios e escolas, entre outros. A lista completa e atualizada está disponível no SINIR e também no site da Conecta LIR.
Quanto posso captar com a lei de reciclagem?
Empresas podem destinar até 1% do IRPJ devido para os projetos aprovados. Esse valor pode variar muito, de acordo com o porte da empresa e o lucro tributável. Exemplo prático: uma empresa que paga R$ 12,4 milhões de IRPJ pode investir até R$ 124 mil por período fiscal, totalmente dedutível.
Vale a pena investir em projetos de reciclagem?
Na minha visão, vale sim – e muito. Além do benefício ambiental, empresas fortalecem sua estratégia ESG, melhoram a imagem institucional, cumprem normas legais e geram impacto social positivo e mensurável. E tudo isso utilizando um recurso que já seria destinado ao imposto. Para mim, é uma equação em que todos ganham.
