Fardos de fibra de celulose seca empilhados em galpão com secador rotativo ao fundo

Subtítulo: Em Três Lagoas, a FIBRAX quer dobrar a capacidade de secagem e transformar 21.300 t de rejeito em fibra vendável para papel e papelão.

Por Alexandre Furlan Braz, CEO da Conecta Lir

O resíduo que ninguém chama pelo nome

Poucos temas são tão evitados dentro das fábricas quanto aquele amontoado de material sólido que sobra depois da produção da celulose. No chão de fábrica, todo mundo conhece, mas dificilmente alguém fala alto: é o rejeito de depuração, o chamado “palito”. Entre engenheiros, operadores e gestores, há até um certo incômodo em nomear o que a máquina cospe ao final do processo. Ninguém gosta de falar dos bilhões de pequenos fragmentos de fibras, gravetos e impurezas que não encontram valor imediato no ciclo da produção. Mas esse resíduo, para mim, é uma oportunidade de mudar não só um mercado, mas o contexto social e ambiental de uma região inteira.

Em Três Lagoas, cidade onde o setor de celulose pulsa forte, esse resíduo se soma a algo em torno de 12 mil toneladas todos os meses. De cada 100 toneladas de palito geradas, apenas 6 ganham um destino circular. As outras 94 seguem para o aterro, sem valor, sem propósito, sem retorno.

Se você acha que resíduo é problema, nunca olhou para ele como solução.

Esse texto é um convite para esse novo olhar sobre o rejeito de celulose, principalmente agora, quando a indústria de papel e papelão tem meios reais para transformar esse “problema” em produto e renda, utilizando ferramentas como a Lei de Incentivo à Reciclagem e conectando atores por toda a cadeia.

A conta do palito: desperdício e potencial

Quando olho para os números, fico impressionado. Do total de rejeitos de celulose produzidos, só uma pequena fração se transforma em nova matéria-prima. O restante não encontra espaço no mercado, quase sempre porque a umidade elevada dificulta o transporte, a estocagem e o fechamento de preço.

No Mato Grosso do Sul, o maior polo de produção de celulose do país, vejo toneladas e mais toneladas de resíduos com potencial de virar fibra vendável, indo parar em aterros. Só em Três Lagoas, são, em média, 12 mil toneladas por mês de rejeito do processo de depuração, um volume capaz de abastecer boa parte da indústria de papelão nacional, caso fossem devidamente processadas e comercializadas.

O gargalo nunca foi comprador. Sempre foi a umidade.

Essa limitação tem nome e endereço claro. O descarte molhado não viaja, não estoca, não fecha negócio. E, do ponto de vista econômico e ambiental, isso é um desperdício lamentável.

Quem é a FIBRAX e como essa história começa

Não é de hoje que observo o movimento de empresas como a FIBRAX Solutions. Sediada em Três Lagoas/MS, com o CNPJ 48.347.812/0001-34 e parceria formalizada pelo Código de Parceria MMA 2026-00039670, essa organização abraçou a missão de fazer diferente. Trabalhando junto a cooperativas de catadores e investindo em tecnologia, a FIBRAX já opera uma planta de recuperação de fibra com foco no aproveitamento do rejeito sólido de celulose.

O projeto atual, conhecido como Economia Circular Vale Celulose, traz números ambiciosos: R$ 5.440.000 em orçamento, com recursos alocados em infraestrutura, secador rotativo de biomassa de 2 t/h, prensa enfardadeira e logística capaz de elevar a capacidade de secagem de 750 para até 1.500 toneladas de fibra seca e pronta para uso industrial ao mês.

Estrada sinuosa verde com plantas e montanhas ao fundo e símbolo de reciclagem circular em destaque

O projeto e suas metas concretas

Esse não é apenas um case de aumento de eficiência industrial. Na prática, serão 21.300 toneladas de rejeito desviadas do aterro ao longo de 24 meses e, desse volume, cerca de 19.000 toneladas virarão fibra vendável para a indústria de papel e papelão. Isso gera impacto direto sobre:

  • A redução do volume descartado em aterros;
  • A geração de matérias-primas circulares para o setor de papel e papelão;
  • A criação de parcerias sólidas com cooperativas locais, envolvendo 5 entidades formalizadas e cerca de 30 cooperados, com contratos, equipamentos e renda formal adicional de até R$ 1.200 por mês para cada cooperado.

Além dessas metas, estimo que o projeto possa abrir vagas, de 17 para 25 postos diretos, qualificar 47 pessoas ao longo do período e evitar uma emissão de, aproximadamente, 9.600 toneladas de CO2 equivalente.

Transformar fibra molhada em renda é mais que tecnologia. É justiça social e economia circular em prática.

É esse tipo de iniciativa que ajuda a mover a régua de sustentabilidade do diálogo para a ação concreta, tangível e comprovada.

Secador rotativo industrial ao fundo, fibra de celulose empilhada no galpão

Por que a umidade decide tudo?

Pouca gente tem noção do impacto real que a umidade exerce sobre o valor da fibra. Existe um ponto crítico em que deixar a fibra molhada significa, na prática, condená-la a ser lixo. Isso porque a fibra úmida não permite estocagem longa, apodrece rapidamente e inviabiliza o transporte rodoviário em caminhões, pois adiciona peso sem agregar valor.

A resposta para esse impasse técnico foi trazer equipamentos de ponta como o secador rotativo de biomassa. Entrando na linha de produção da FIBRAX, esse maquinário transforma até 1.500 toneladas mensais de palito em fibra seca, padronizada, adequada para negociações em escala nacional.

E aqui entra o elo mais sensível de toda cadeia: só existe negócio se houver especificação, controle de qualidade e regularidade. Para isso, transformar rejeito em matéria-prima precisa de padrão.

Padrão e rastreabilidade geram confiança para que a indústria compre, recicle e reinvista.

Sem esse passo, não faz sentido falar em economia circular para a celulose. E, para mim, a maior prova de que é possível avançar nisso está justamente na evolução dos projetos conduzidos por empresas e cooperativas conectadas via Conecta LIR, plataforma que sigo à frente e que tem feito a ponte entre indústria, cooperativas, tecnologia e investidores.

As cooperativas como fornecedoras de impacto

Falando de resíduos, percebo que nada tem tanto potencial de transformar vidas quanto o modelo de fornecimento apoiado por cooperativas de catadores. No projeto FIBRAX, cinco dessas cooperativas passam a atuar como fornecedoras formais, com equipamentos, contratos e ganho de renda formal e regular.

Isso significa mais do que dinheiro no bolso. Significa quebra de paradigma em termos de reconhecimento, dignidade e inclusão social.

  • Trabalho formalizado para cooperados;
  • Equipamentos adequados para maior segurança e produtividade;
  • Parcerias contratuais com garantias e estabilidade financeira;
  • Renda complementar que pode chegar a R$ 1.200,00 por cooperado/mês;

Vejo que, ao desenhar a economia circular no campo da celulose, é fundamental garantir que todos os elos da cadeia sejam reconhecidos—da fábrica ao chão do galpão das cooperativas.

Quem coloca as mãos no resíduo precisa receber o valor real de seu esforço para o ciclo continuar.
Ilustração de estrada verde sinuosa passando por natureza estilizada com plantas e montanhas, com símbolo de reciclagem ao fundo e logotipo conecta lir no canto superior direito

Como a Lei de Incentivo à Reciclagem financia essa transformação?

A Lei 14.260/2021 (Lei de Incentivo à Reciclagem) criou um mecanismo inteligente para empresas que atuam pelo Lucro Real: destinar até 1% do IRPJ devido para projetos de reciclagem aprovados, com dedução total e sem aumento do custo tributário. Para pessoas físicas, a dedução pode chegar a 6%. Toda a operação tramita via Transferegov, assegurando rastreabilidade e segurança para quem investe e para quem executa. O Decreto 12.106/2024 é a base regulatória recente dessa novidade no arcabouço fiscal brasileiro.

A mágica está exatamente aqui: transformar o velho imposto em novo valor social e ambiental, que retorna em ganhos de imagem, reputação e ESG para a empresa. O dinheiro é o mesmo que já sairia do caixa—mas agora volta para o ciclo produtivo e social do país.

Um exemplo prático: se uma empresa fatura R$ 1 bilhão, com lucro de R$ 50 milhões, o IRPJ devido é R$ 12,4 milhões. Pela LIR, é possível destinar R$ 124 mil, sem nenhum impacto no fluxo de caixa, para financiar projetos estruturantes como o da FIBRAX em Três Lagoas. Não é doação. É reorientação do imposto, com impacto rastreável e integração de relatórios que já contam para a agenda ESG da empresa.

Imposto é obrigatório. Impacto é opcional—mas agora cabe na conta de quem decide investir diferente.

Na prática, tratei desses detalhes em profundidade em publicações da rede Conecta LIR, que reúne conteúdo explicativo para empresas e entidades. Indico, para quem quiser saber mais, os artigos sobre passo a passo e formas de participar via Lei de Incentivo à Reciclagem, além do guia para projetos, detalhando inclusive como captar recursos e fazer a prestação de contas.

O ciclo está plenamente descrito e cada etapa é monitorada por tecnologia embarcada na Conecta LIR—com dashboards, IA para recomendações de projetos em sintonia com o perfil da empresa, relatórios ESG e compliance automatizado.

Catadores de recicláveis em oficina, separando fibras de celulose

ODS 8, 9, 12 e 13: impacto nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Desde que comecei a trabalhar com a cadeia da reciclagem, percebi o quanto é necessário alinhar as iniciativas industriais ao debate global dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). No caso da FIBRAX e do projeto Economia Circular Vale Celulose, o impacto é claro em quatro ODS estratégicos:

  • ODS 8 - Trabalho decente e crescimento econômico: promovendo emprego formalizado e renda para cooperados.
  • ODS 9 - Indústria, inovação e infraestrutura: com a implantação de equipamentos de secagem e logística de ponta na indústria da celulose.
  • ODS 12 - Consumo e produção responsáveis: permitindo que resíduos se tornem insumos de maneira rastreada e padronizada, maximizando a circularidade na cadeia do papel.
  • ODS 13 - Ação contra a mudança global do clima: reduzindo o envio de resíduos para aterros e, consequentemente, mitigando emissões de gases de efeito estufa.
Falar de sustentabilidade virou lugar comum. Praticar, monitorar e provar é o novo padrão de liderança.

Ao olhar para o futuro, acredito que essa integração entre cadeia produtiva, inovação e protocolos internacionais de sustentabilidade é a trilha mais promissora para o Brasil.

Logotipo da Conecta LIR com elementos de natureza e cidade formando um círculo

O impacto econômico e ambiental da reciclagem do rejeito de celulose

Vejo de perto como a reciclagem do rejeito de celulose movimenta não apenas o caixa das empresas, mas também faz girar uma poderosa roda de benefícios ambientais. Cada tonelada de palito reinserido no processo produtivo diminui pressão sobre áreas de extração de madeira, reduz emissão de CO2 ao evitar o apodrecimento anaeróbico dos resíduos em aterros e cria um efeito multiplicador na economia circular.

Strong>Cada tonelada reciclada de celulose significa menos extração florestal, menos transporte de resíduos, menos uso de aterro sanitário e mais empregos na base da cadeia.

O setor de papel e papelão se beneficia diretamente ao acessar um insumo local, confiável, com composição conhecida—a base para ganho de competitividade e cumprimento mais fácil de metas ESG. Um ponto que sempre reforço em debates públicos e nas reuniões com indústrias parceiras: reciclar rejeito de celulose é uma decisão que coloca o setor à frente não só em produtividade, mas também no compromisso com o futuro.

O resíduo de hoje é o insumo de amanhã.

Essas oportunidades ficam especialmente claras com o uso de plataformas de conexão como a Conecta LIR, que agilizam compliance, prestação de contas e integração de relatórios ambientais para empresas.

No site, por exemplo, compartilhei análises específicas sobre vantagens para empresas na Lei de Incentivo à Reciclagem e benefícios fiscais conquistados com transparência e rastreabilidade.

Linha de produção de papelão com fibra de celulose seca em rolos

Conclusão: resíduo é oportunidade e ciclo só fecha com inovação social

Ao longo desses anos de gestão, o principal aprendizado que levo é o valor de enxergar no resíduo não um passivo, mas uma oportunidade real de geração de valor. Conheço de perto cada etapa da cadeia, do chão de fábrica ao galpão das cooperativas, e afirmo que somente ações integradas, baseadas em critérios técnicos, rastreabilidade e inovação social, podem viabilizar um novo ciclo para a economia circular da celulose.

No projeto Economia Circular Vale Celulose, vejo não só o exemplo, mas o caminho: união de tecnologia, gestão social e mecanismos públicos como a LIR para potencializar os ganhos econômicos, ambientais e humanos. Para quem deseja conhecer mais, entender oportunidades de participação ou simular benefícios, recomendo acessar www.conectalir.com. Nós, da Conecta LIR, estamos construindo pontes para conectar imposto, inovação e impacto na prática.

Resíduo só perde valor quando fica parado. No ciclo certo, ele move a indústria e a sociedade.

Perguntas frequentes

O que é rejeito de celulose reciclável?

O rejeito de celulose reciclável é o material sólido separado do processo de produção de celulose, chamado de “palito”, composto por fibras curtas, fragmentos de madeira e impurezas que, ao invés de ir para o aterro, pode ser recuperado, seco e utilizado na indústria de papel e papelão. Esse reaproveitamento é fundamental para evitar desperdício, reduzir impacto ambiental e potencializar a economia circular na cadeia florestal-industrial.

Como funciona a Lei de Incentivo à Reciclagem?

A Lei 14.260/2021 permite que empresas tributadas pelo Lucro Real destinem até 1% do seu IRPJ para financiar projetos aprovados de reciclagem, economia circular e gestão de resíduos, como o da FIBRAX em Três Lagoas. A destinação é totalmente dedutível, sem gasto extra, e deve ser feita via Transferegov, garantindo rastreabilidade e transparência. Pessoas físicas também podem contribuir, com dedução de até 6% do imposto devido. A regulamentação se dá pelo Decreto 12.106/2024, tornando o processo seguro e escalável.

Vale a pena reciclar resíduos de celulose?

Sim, a reciclagem de resíduos de celulose representa não apenas ganhos econômicos ao transformar custo em receita, mas também vantagens ambientais e sociais. Ela reduz a pressão sobre florestas, diminui emissões de gases do efeito estufa, gera empregos e oportunidades em cooperativas e qualifica empresas para cumprir metas ESG de forma rastreada e transparente.

Como lucrar com reciclagem na indústria de papel?

O lucro decorre principalmente da transformação do rejeito seco em insumo valorizado (fibra padronizada) para a indústria de papelão, pela redução de custos com disposição em aterros e pelo acesso a incentivos fiscais via LIR. Investir em tecnologias para processamento (secagem e prensagem), integração com cooperativas e qualificação do processo produtivo amplia margens e cria vantagens competitivas duradouras.

Quais benefícios da economia circular na celulose?

A economia circular permite que o resíduo de um elo da cadeia vire insumo para outro, prolongando o ciclo de vida dos materiais e reduzindo a extração de recursos naturais. No contexto da celulose, isso traz menor dependência de matéria-prima virgem, reduz custos ambientais, amplia empregos qualificados, fortalece cooperativas e favorece o cumprimento dos ODS. Também consolida uma imagem de responsabilidade social e ambiental para a indústria nacional.

Você tem interesse em aprofundar sobre reciclagem de celulose, economia circular e leis de incentivo fiscal? Conheça o projeto, simule benefícios e faça parte dessa transformação em www.conectalir.com.

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Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

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