Sempre que eu visito Jericoacoara, eu vejo a mesma cena: turistas chegando em massa, aproveitando a praia, festas, trilhas de buggy. Eles consomem, se encantam e partem. Mas o que fica para trás não é só saudade – são montanhas de resíduos, geradas dia e noite em um pedacinho do litoral que se transforma a cada temporada. Cruz, o município “vizinho” que abriga Jeri, tem só 29.761 habitantes, mas esse número pode crescer até 300% quando as férias chegam. Não exagero: é como se a cidade mudasse de dimensão da noite para o dia.
Se tem uma coisa que não acompanha esse crescimento, é a estrutura para lidar com o lixo. Em pleno século XXI, a cidade ainda não tem aterro sanitário. O resultado? Todo esse volume – plástico, papel, metal e principalmente vidro, fruto de bares, festas, pousadas – se espalha, se acumula e vira parte de um problema que custa caro para todo mundo. Eu mesmo já presenciei acidentes com vidro mal descartado, episódios que colocam turistas e moradores em risco. E não falo só de economia: o impacto ambiental é visível nos cantos mais belos do litoral cearense.
O desafio do vidro e dos resíduos em Jericoacoara
O vidro é um dos maiores vilões quando temos coleta seletiva no litoral. Ele aparece em toneladas, vindo das garrafas de bares, das pousadas e de tudo que envolve o dia-a-dia de quem alimenta a economia turística. Se não é recolhido do jeito certo, pode causar cortes, machucar quem trabalha e poluir nosso paraíso natural. O problema fica ainda maior sem um espaço adequado para separação e destinação correta dos materiais.
Eu conheci de perto a realidade da Coopbravo, uma cooperativa de catadores que faz um trabalho admirável mesmo enfrentando dificuldades. Eles operam sem um galpão próprio, pagando alugueis altos – cerca de R$ 3.300 por mês, ou R$ 79.200 em dois anos. Dinheiro que poderia ser investido na própria logística da coleta ou na valorização dos trabalhadores acaba saindo do caixa só para manter o básico.

Como morador, vejo que o maior gargalo não é a falta de vontade ou engajamento, mas a escassez de ferramentas estruturais. Sem apoio e investimento, qualquer modelo de reciclagem Jericoacoara acaba sendo limitado por recursos tão frágeis quanto o próprio ecossistema local.
Surge o Preá Circular: o projeto que muda tudo
O Preá Circular surge neste contexto como solução concreta. Não é utopia: é uma resposta prática pensada para lugares onde a coleta seletiva do litoral não pode ser esquecida depois das férias. O projeto constrói um galpão de triagem de 280 m² – espaço essencial, cedido pela prefeitura – para fazer a operação da Coopbravo decolar. Eles não só ganham segurança e estrutura, mas ampliam a capacidade de separar, processar e destinar corretamente toneladas de resíduos por mês.
O funcionamento do projeto me chamou muito a atenção: são 56 pontos de coleta seletiva espalhados, todos feitos de madeira plástica reciclada, além de 12 ecopontos exclusivos para vidro. Eles se unem aos mais de 40 pontos já existentes na região, formando uma rede robusta para recolher e tratar o que antes era um problema visível para quem anda pelas ruas ou praias. Ninguém precisa ir longe para descartar, o que incentiva o engajamento.

Mais impressionante ainda é que o Preá Circular aproveita tudo o que a cooperativa já tinha de bom: prensa, esteira, quadriciclo elétrico, carretas. Nada se perde, tudo se transforma. E não para por aí: ainda há uma forte frente de educação ambiental, com ações acontecendo por 18 meses, sempre envolvendo roteiros acompanhados para garantir que o aprendizado vire hábito, tanto com moradores quanto com turistas.
Metas ousadas, impacto real
O projeto tem objetivos de tirar o fôlego e, sinceramente, não consigo imaginar nenhum outro exemplo regional tão completo. As metas envolvem:
- Beneficiar 1.200 toneladas de resíduos no total
- Comercializar pelo menos 1.020 toneladas, destinando para reciclagem de verdade
- Taxa de recuperação prevista de 85%, mostrando que a maior parte dos materiais coletados retorna para algum uso produtivo
- Capacidade de até 100 toneladas/mês, algo nunca antes visto para um município deste porte
- Criação direta de 20 empregos e treinamento de 60 pessoas
- Ações que vão sensibilizar pelo menos 10.000 moradores, trabalhadores e turistas
- Aumento da renda dos trabalhadores, saltando de R$ 1.000 para até R$ 2.500 mensais
- Redução de 1.530 toneladas equivalentes de CO2 jogadas na atmosfera
Mais do que números frios, esses resultados mudam a rotina de famílias, abrem portas e criam um novo olhar sobre a relação entre turismo, economia e reciclagem em Jericoacoara. E eu vejo, de perto, que há uma transformação silenciosa, mas muito poderosa.
O gargalo do vidro: por que ele pesa tanto?
O vidro, aqui, ganha capítulo à parte. Ele é bonito nas prateleiras dos bares, mas, quando jogado fora sem cuidado, vira vilão. Pode machucar, contamina solo e traz riscos para quem trabalha na coleta seletiva do litoral. O Preá Circular entende o tamanho do problema e oferece 12 ecopontos só para vidro. Assim, todo o material recolhido é tratado, confere segurança e abre novas oportunidades de renda para a cooperativa, que já sentia na pele os prejuízos.
Como tudo isso é possível? O papel da Lei de Incentivo à Reciclagem
A grande virada de chave se chama Lei 14.260/2021, conhecida como Lei de Incentivo à Reciclagem. Muitos acham que investir em projetos ambientais é exclusivo para grandes empresas ou filantropia. Na verdade, com essa lei, parte do imposto devido ao governo pode ser redirecionada para financiar iniciativas de coleta seletiva no litoral, reciclagem de Jericoacoara e desenvolvimento das cooperativas de catadores.
Se a empresa é do Lucro Real, pode destinar até 1% do IRPJ. Pessoas físicas, até 6% do imposto. Não é doação: é um redirecionamento do imposto que já seria pago. A transação é feita pelo sistema Transferegov, agora simplificado pelo Decreto 12.106/2024, e para o Preá Circular bastaria informar o código de parceria MMA 2026-00038664 para garantir seu apoio em um projeto que faz diferença desde o primeiro real investido.
Curioso como tantas vezes esquecemos do poder que a legislação tem de mudar a realidade das pessoas. Quando aplicada corretamente, como no caso da Lei de Incentivo à Reciclagem, ela cria novos horizontes para cidades e pessoas, exatamente como explica em artigos especializados disponíveis.

Ao apoiar iniciativas como o Preá Circular, percebo que cada real investido retorna em emprego, renda, saúde ambiental e dignidade. A própria plataforma Conecta LIR surge para ajudar parceiros – públicos, privados e pessoas físicas – a enxergar essas oportunidades, sistematizar o processo e dar transparência, como mostra o acompanhamento feito por IA, relatórios de impacto e curadoria, que tornam toda operação simples e confiável.
Foco em educação ambiental: transformar hábito é tão importante quanto reciclar
Muitas vezes, perguntam por que Jericoacoara ainda enfrenta tantos desafios com resíduos, mesmo depois de tantos anos como referência turística. Meu entendimento, ao acompanhar projetos como o Preá Circular, é de que educação ambiental transformadora é tão necessária quanto o próprio galpão ou a coleta. Por isso, 18 meses de ações educativas estão previstos, buscando mudar não só uma geração, mas o comportamento também de turistas, comerciantes e moradores.
O tempo e a regularidade desse trabalho farão com que, no médio e longo prazos, a reciclagem Jericoacoara deixe de ser apenas uma obrigação para virar parte do cotidiano. Assim, o ciclo se fecha – resíduos coletados corretamente, reciclados e nova renda para quem mais precisa.
Preá Circular, os ODS e o alinhamento com metas globais de sustentabilidade
Outro ponto que acho relevante mencionar é a conexão do Preá Circular com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O projeto atua diretamente em áreas estratégicas:
- ODS 1 - Erradicação da pobreza: ao gerar trabalho digno e renda para cooperados e famílias locais.
- ODS 8 - Trabalho decente e crescimento econômico: criando postos formais de emprego e promovendo capacitação.
- ODS 11 - Cidades e comunidades sustentáveis: ao estruturar um modelo replicável de coleta seletiva para o litoral e regiões turísticas.
- ODS 12 - Consumo e produção responsáveis: ao incentivar hábitos de descarte correto e reciclagem.
Eu vejo, então, que o impacto local se soma ao global, atraindo também empresas que buscam cumprir metas ESG com mais do que discurso – que querem mostrar resultado concreto com a rastreabilidade de cada investimento.

A plataforma Conecta LIR e a facilidade para quem quer investir
Conecta LIR é mais do que uma vitrine onde se encontra projetos como o Preá Circular. Ela ajuda desde o cadastro, faz o “match” entre empresa e projeto, apoia no processo tributário e acompanha tudo em tempo real até a finalização do incentivo na plataforma oficial do governo. Tudo é automatizado, com curadoria, geração de relatórios de impacto e real acompanhamento do que acontece nas comunidades. Assim, cada apoiador sabe que está investindo em iniciativas já validadas, com o impacto do investimento documentado e exibido em dashboards digitais.
Uma das perguntas que mais escuto de empresários: “Mas esse dinheiro não faz falta no orçamento, não vai para o governo?” E eu sempre explico que não. Para empresas do Lucro Real, basta calcular o IRPJ devido, e até 1% pode ser destinado para transformar o lixo de Jericoacoara em solução, em desenvolvimento e em qualidade de vida. Sem burocracia, sem risco jurídico, sem pegadinha.

Resultados possíveis, renda, saúde e futuro
O efeito mais nítido do projeto não está só nas toneladas evitadas nos lixões, nos acidentes reduzidos ou nos relatórios de ESG que geram comunicação positiva. Está também na trajetória de vida dos catadores e catadoras que encontram dignidade e renda estável, podendo planejar o futuro. Vi relatos de trabalhadores cuja renda pode sair de R$ 1.000 para R$ 2.500, o suficiente para mudar o padrão de vida de famílias inteiras.
Outro ganho é para o próprio turismo, que passa a conviver com ruas e praias limpas, rotas de coleta eficientes e novas oportunidades de trabalho local. Coleta seletiva bem feita é boa para o meio ambiente, para os negócios locais e, claro, para o próprio visitante, que quer voltar ao paraíso sabendo que não foi parte do problema.
Apoie, conheça, simule: Jericoacoara merece um novo futuro
Concluindo, acredito que o sucesso do Preá Circular é uma oportunidade para todos. Um projeto que une sustentabilidade, economia circular, geração de renda e impacto social, usando um modelo simples mas poderoso – e que pode ser replicado em outros destinos turísticos do Brasil. Só quem pisou nas areias de Jericoacoara entende o quanto a preservação desse lugar importa para todos.
Convido você a conhecer mais sobre o Preá Circular, a plataforma Conecta LIR e a simular o seu benefício fiscal em conectalir.com. No site, é possível entender como tributos podem virar transformação, ver outros exemplos de projetos e até buscar inspiração em relatórios e materiais já disponíveis, como os publicados em experiências de outros projetos, análises de impacto e destaques da lei.

Jericoacoara quer e precisa de um novo ciclo para seus resíduos. E você pode ser parte desta mudança.
Perguntas frequentes
O que é coleta seletiva no litoral?
Coleta seletiva no litoral consiste em separar resíduos como papel, plástico, metal e vidro na própria fonte – seja em casas, pousadas, comércios ou pontos turísticos – para que sejam destinados corretamente e possam ser reciclados. Isso acontece em localidades próximas ao mar, onde o acúmulo de resíduos pode afetar não só a beleza das praias, mas também o ecossistema marinho e a qualidade de vida dos moradores. O Preá Circular reforça essa prática em Jericoacoara ao instalar pontos acessíveis de coleta e promover rotas frequentes que consideram a sazonalidade do turismo.
Como funciona a reciclagem em Jericoacoara?
Em Jericoacoara, a reciclagem é realizada principalmente por cooperativas como a Coopbravo, que fazem coleta, triagem e encaminham os materiais separados para indústrias recicladoras. O novo galpão do Preá Circular permite aumentar esse fluxo, com equipamentos específicos e pontos de coleta estrategicamente localizados. Tudo isso aliado a campanhas educativas prolongadas, garantindo que moradores e turistas participem ativamente desse processo.
O que faz uma cooperativa de catadores?
Uma cooperativa de catadores organiza e profissionaliza o trabalho de recolhimento, separação e destinação de resíduos recicláveis. Ela reúne trabalhadores que atuariam informalmente, garante melhores condições de trabalho, renda fixa e segurança, além de promover inclusão social. A Coopbravo, por exemplo, centraliza os materiais em um galpão, utiliza equipamentos para prensar e separar, comercializa volumes maiores e investe em capacitação, promovendo desenvolvimento local.
Como a Lei de Incentivo à Reciclagem ajuda?
A Lei de Incentivo à Reciclagem permite que parte do imposto devido seja redirecionado, sem custo adicional, para projetos de reciclagem aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente. Assim, empresas do Lucro Real direcionam até 1% do IRPJ e pessoas físicas, até 6%, para apoiar iniciativas como o Preá Circular, que beneficiam milhares de pessoas e transformam a gestão de resíduos em Jericoacoara para melhor. O processo é seguro, digital e feito via Transferegov, bastando informar o código de parceria do projeto apoiado.
Onde descartar corretamente resíduos recicláveis?
Os resíduos recicláveis devem ser descartados em pontos de coleta seletiva identificados, como os 56 instalados pelo Preá Circular em Jericoacoara, além de ecopontos exclusivos para vidro. Há ainda cerca de 40 pontos já existentes que podem ser utilizados por moradores, empresários e turistas. Sempre que em dúvida, procure informações com a equipe do projeto ou nos materiais de educação ambiental disponíveis para saber como e onde separar cada tipo de material.
