Quando penso em transformação no Brasil, olho imediatamente para o setor de resíduos. Não é segredo: produzimos cerca de 80 milhões de toneladas de lixo a cada ano, reciclamos menos de 4%, e a taxa oficial de recuperação de recicláveis é de apenas 1,82%. Em contraste gritante, países como a Alemanha atingem incríveis 67%. Na minha análise, esse retrato escancara uma lacuna, mas também um vasto território de oportunidades não exploradas.
Quase R$ 14 bilhões em materiais recicláveis são descartados anualmente no país.
Em meio a esse cenário, vi nascer uma movimentação digna de atenção. Falo sobre a parceria entre a FENACON, maior federação contábil do Brasil, e a Conecta Lir, que atua conectando empresas a projetos ambientais já aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente. O objetivo? Transformar parte do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) devido em suporte direto à reciclagem, e com isso, gerar impacto social, ambiental e econômico real.
A lógica da Lei de Incentivo à Reciclagem
Quando comecei a pesquisar mais a fundo, percebi que a Lei 14.260/2021, conhecida como Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), segue os princípios de leis de incentivo já reconhecidas, como a Lei Rouanet, mas ampliando o foco para economia circular e resíduos sólidos. Este mecanismo permite que empresas tributadas pelo Lucro Real possam destinar até 1% do IRPJ a projetos previamente aprovados pelo governo.
O recurso é totalmente dedutível, permitindo que empresas canalizem tributos para iniciativas que ampliam a coleta seletiva, financiam a compra de equipamentos modernos, capacitam equipes de cooperativas e geram inclusão produtiva. Pessoas físicas também podem participar, destinando até 6% do IRPF.
O que me chamou atenção é que tudo isso acontece sem custo extra, a empresa utiliza um valor que já seria pago e alinha seu planejamento fiscal com os princípios ESG.
A desconexão: empresas, projetos e o entrave financeiro
Em minhas conversas com gestores ambientais e contadores, sempre ouço a mesma reclamação: falta de acesso ao capital e informação. Hoje, existem mais de 1.400 municípios sem coleta seletiva. De acordo com o próprio Ministério do Meio Ambiente, o país conta com cerca de 800 mil catadores, muitos em situações precárias e sem acesso a equipamentos ou financiamento.
Enquanto milhares de projetos ficam sem apoio, empresas deixam de usar um recurso que já existe: o redirecionamento do imposto. Segundo o SERPRO, até março de 2026, são mais de 1.000 projetos inscritos no Ministério, destes 292 aprovados para captação, somando R$ 622 milhões em parcerias formalizadas, com valores de projetos variando de R$ 50 mil a R$ 8 milhões.
Essa desconexão sempre pareceu um paradoxo para mim. Por que é tão difícil para quem paga Imposto de Renda investir na transformação do próprio país? A resposta, descobri, está na falta de canais práticos e seguros, e é aí que a Conecta Lir faz toda diferença.
FENACON: alcance e potência multiplicadora
Em 11 de março de 2026, testemunhei um passo estratégico: a formalização da parceria entre FENACON e Conecta Lir, anunciada em uma live no YouTube, com Daniel Mesquita Coêlho, Alexandre Furlan Braz e Marcio Tamura, líderes reconhecidos do setor. Foi muito mais do que uma assinatura, foi um pacto para potencializar resultados no universo fiscal brasileiro.
A FENACON congrega mais de 400 mil empresas em 63 segmentos, 41 entidades filiadas em todos estados e Distrito Federal, mais de 100 mil escritórios contábeis e movimenta cerca de R$ 238 bilhões em atividades, representando aproximadamente 6,47% do PIB nacional. Imagine se apenas 1% das empresas assistidas destinasse 1% do IRPJ para projetos de reciclagem? Poderíamos multiplicar todo o valor captado no primeiro ano da LIR!
Como funciona na prática
- Empresas do Lucro Real verificam o valor do IRPJ devido.
- Escolhem, via plataforma Conecta Lir, projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente da região, setor ou faixa de valor desejados.
- Firmam o apoio formal em ambiente digital seguro, com compliance automático e contratos eletrônicos.
- Toda a documentação, acompanhamento do impacto e relatórios ESG ficam disponíveis em ambiente digital, trazendo segurança e transparência ao processo.
Um diferencial que me chamou atenção é o módulo criado pela Conecta Lir para escritórios contábeis. Eles podem cadastrar clientes (pessoas físicas e jurídicas), consultando oportunidades por segmento ou localidade, facilitando o acesso a alternativas alinhadas à LIR e tornando-se verdadeiros impulsionadores da mudança.
Esse passo a passo está detalhado em diversos guias práticos, como neste sobre como fazer a destinação do IRPJ ou orientações para empresas do Lucro Real aproveitarem o incentivo fiscal.
O que muda com a Conecta Lir e FENACON
Percebo que muitos contadores ainda se veem perdidos no processo, enfrentando burocracias, riscos jurídicos e dificuldade de encontrar boas iniciativas para recomendar a seus clientes. Com a Conecta Lir, este cenário muda radicalmente.
- Matchmaking inteligente feito por IA, conecta perfis de empresas e projetos, eliminando incompatibilidades.
- Relatórios de impacto ESG automáticos.
- Geração eletrônica de contratos e acompanhamento digital de todo ciclo.
- Painel intuitivo e orientação passo a passo para contadores e gestores.
- Curadoria especializada, promovendo segurança e rastreabilidade.
Para quem, como eu, já viu esforços de sustentabilidade pararem na burocracia, é aqui que está a solução: a plataforma reduz o tempo e o risco do processo, garantindo que o imposto seja transformado em impacto verdadeiro sem complicação extra.
Próximos passos e impacto real
Em minha observação, nunca tivemos um cenário tão favorável à mudança. Se só 1% dos clientes dos escritórios filiados à FENACON destinarem 1% do imposto devido, já nos aproximamos de todo o valor aprovado em parceria pelo MMA, R$ 622 milhões.
Por isso, recomendo:
- Contadores: acessem o Portal de Parceiros FENACON e conheçam o módulo conectado à Conecta Lir.
- Empresas do Lucro Real: conversem com seus contadores para planejar a destinação antes do próximo ajuste anual.
- Projetos de reciclagem: inscrevam-se na plataforma até 30 de julho de 2026 para captar recursos.
Para saber mais sobre legislação, incentivos e novidades, consulte a categoria de incentivo fiscal e leia também esta análise sobre destinação do imposto para projetos ESG.
Com segurança, transparência e tecnologia, nunca foi tão acessível fazer o imposto virar impacto. E, honestamente, é disso que nosso país precisa.
Visite conectalir.com e descubra como transformar o imposto em benefício social e ambiental verdadeiro.
Perguntas frequentes
Como destinar o Imposto de Renda para reciclagem?
A destinação é possível via Lei de Incentivo à Reciclagem para empresas do Lucro Real e pessoas físicas. Basta conversar com seu contador, acessar uma plataforma homologada como a Conecta Lir, selecionar um projeto aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente, e informar a destinação no momento do ajuste anual, sem custo extra para sua empresa ou para você. Todo o processo é acompanhado digitalmente para garantir transparência.
O que é o Conecta Lir e como funciona?
O Conecta Lir é a primeira plataforma nacional que conecta empresas e projetos de reciclagem aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, promovendo curadoria, compliance automático e monitoramento de impacto. Empresas e escritórios contábeis podem acessar, cadastrar clientes e fazer o match com projetos alinhados ao perfil ou região, acompanhando toda a trilha até a aplicação dos recursos.
Vale a pena destinar IRPJ para reciclagem?
Sim, a prática permite alinhar responsabilidade tributária a benefícios socioambientais concretos, sem custos adicionais para a empresa. Além disso, fortalece a imagem ESG, possibilita relatórios avançados de impacto e amplia o alcance social da marca, tudo fiscalmente autorizado.
Quais empresas podem participar dessa iniciativa?
Empresas tributadas pelo Lucro Real podem destinar até 1% do IRPJ a projetos de reciclagem aprovados. Pessoas físicas também participam, destinando até 6% do Imposto de Renda devido. Basta ter interesse em impactar positivamente a cadeia de resíduos e buscar um contador engajado que conheça a legislação.
Qual o benefício fiscal de apoiar a reciclagem?
O valor destinado ao projeto é deduzido integralmente do valor devido do imposto, ou seja, não há custo extra e a empresa ainda agrega à sua estratégia ESG sem comprometer seu caixa. Além disso, relatórios de impacto e compliance tornam o processo transparente e seguro para todos os envolvidos.
