Painel digital com gráfico em alta formado por ícones de reciclagem e empresas

Quando olho para os números deste segundo trimestre de 2026, sinto que estamos vivendo um divisor de águas na história da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR). A cada dado analisado percebo o quanto o ecossistema de reciclagem amadureceu, impulsionando inovação e conexão em vários cantos do Brasil. Nunca antes a mobilização foi tão intensa: R$ 18,45 milhões direcionados a iniciativas ambientais aprovadas, distribuídos em 104 depósitos, feitos por 60 empresas, abrangendo 47 projetos em 12 estados.

Esse salto de 254% em relação ao trimestre anterior não traduz apenas números frios. Para mim, ele reflete estratégia, agilidade e, principalmente, a importância de se planejar quando se busca investidores para projetos ligados à LIR. Junho consolidou essa dinâmica: R$ 11,4 milhões desse total foram aportados só naquele mês, sendo impressionantes R$ 9,1 milhões creditados nos últimos seis dias. Por quê? O encerramento trimestral do IRPJ para empresas do Lucro Real puxa essa corrida, tornando o timing fundamental para quem quer captar recursos.

O impacto da antecipação: quem chega primeiro, recebe antes

Pelos bastidores, notei um padrão: projetos que apresentaram propostas cedo, mantiveram-se presentes e dialogaram continuamente com incentivadoras colheram os frutos primeiro. Ficar invisível ou esperar a “última hora” pode ser o fator que joga um projeto lá para o próximo trimestre. Esse comportamento apareceu várias vezes, não só nos dados, mas nos depoimentos dos gestores com quem conversei recentemente.

Esse movimento ficou claro quando analisei os maiores incentivadores do trimestre:

  • Vale: R$ 4,12 milhões para três projetos distribuídos entre Minas Gerais, Santa Catarina e Amazonas
  • Vibra Energia: R$ 1,1 milhão destinado ao projeto Ecos da Natureza em São Paulo
  • Havan: R$ 500 mil para a Inga Tecsus, no Paraná
  • Suzano: R$ 420,4 mil para a Cooperativa ACAMAR, em São Paulo
  • Samedil: R$ 364,7 mil para o Movimento Cidade, no Espírito Santo

Essas empresas mostram uma ênfase clara em alinhar seus aportes com critérios próprios, diversificando as regiões, os tipos de projetos, o perfil do proponente e até os materiais reciclados que desejam apoiar.

Diversos projetos de reciclagem representados por pilhas de materiais recicláveis em frente a logotipos de empresas brasileiras, fundo com mapa mostrando 12 estados destacados

Estratégias de diversificação dos incentivadores

Olhando mais de perto para a Vale, por exemplo, evidenciei uma característica interessante: ela não concentrou todos os recursos em um único projeto ou localidade. Ao destinar verbas para projetos em Minas, Santa Catarina e Amazonas, demonstra preocupação em abraçar diferentes realidades e necessidades regionais. E não foi só a Vale que seguiu essa linha; a Valgroup, atuando no nicho de plásticos, utilizou múltiplos CNPJs para apoiar projetos alinhados à sua estratégia de responsabilidade social.

Outro ponto de destaque que observei foi a ligação direta entre grandes indústrias e sua cadeia produtiva relacionada à reciclagem. Casos como o da Suzano, financiando cooperativas de catadores de papel, e da Valgroup, incentivando a YouGreen —empresa especializada justamente na reciclagem de plásticos— exemplificam como a LIR permite que grandes indústrias fortaleçam sua logística reversa, com incentivo fiscal como principal combustível.

Os campeões da captação no trimestre

Do ponto de vista dos projetos, é nítido para mim como a visibilidade, o preparo e a reputação impactam diretamente no sucesso da arrecadação. Plaspop Gestão Ambiental (MG) liderou com R$ 3,62 milhões. Na sequência, apareceram Reciclo Meio Ambiente (BA) com R$ 3,2 milhões, Ecos da Natureza (SP) com R$ 2,04 milhões, Lara Teixeira Laranjo (SP) com R$ 1,48 milhão e Cooperativa Crescer (SP) com R$ 1,1 milhão.

Esses projetos conquistaram destaque não apenas pelo volume arrecadado, mas também pela capacidade de conquistar tanto grandes depósitos quanto múltiplos aportes menores ao longo do trimestre. Basta lembrar do projeto de Araraquara: cinco concessionárias depositaram recursos no mesmo dia, mostrando que consistência e presença ativa no ecossistema fazem toda a diferença.

Estrada sinuosa verde com plantas e montanhas ao fundo e símbolo de reciclagem circular em destaque

Identifiquei claramente dois modelos principais de captação:

  • Grandes valores recebidos em poucos depósitos, normalmente de incentivadores de maior porte e apetite
  • Captação pulverizada em muitos incentivos menores, cada um contribuindo para a soma final do projeto

Sempre que converso com gestores dessas iniciativas, percebo que participar ativamente das discussões e relacionamentos com empresas é o caminho mais seguro para conquistar recursos.

Quem está ausente, dificilmente será lembrado na hora de destinar recursos.

Panorama do semestre: curva de aceleração surpreende

Expandindo a análise para o primeiro semestre de 2026, vejo uma curva de crescimento bem marcada. Foram arrecadados R$ 23,7 milhões em 191 lançamentos, por 104 empresas identificadas, para 58 projetos, em 13 estados brasileiros. O ritmo começou tímido em janeiro (R$ 654 mil), mas acelerou velozmente até chegar aos R$ 11,4 milhões em junho, reflexo claro do amadurecimento do mercado e do entendimento das empresas sobre os prazos e as oportunidades da LIR.

Entre os principais financiadores do semestre destaco:

  • Vale
  • Vibra Energia
  • Samedil
  • Adata Electronics
  • Havan

E no pódio das iniciativas mais bem-sucedidas, os campeões foram:

  • Plaspop Gestão Ambiental
  • Reciclo Meio Ambiente
  • Ecos da Natureza
  • Lara Teixeira Laranjo
  • Incentive Projetos

Importante frisar que o ranking real pode ser ainda maior, já que R$ 11,1 milhões chegaram sem identificação completa dos depositantes. Um retrato da velocidade e da escala que a LIR começa a ganhar, e da necessidade de aperfeiçoar processos de rastreamento e transparência.

Gráfico visualizando crescimento exponencial dos depósitos LIR ao longo dos seis meses

Como os grandes escolhem? O Edital Personalizado

Muitas vezes me perguntei como grandes grupos decidem para onde vão seus incentivos. Em meus estudos e acompanhando de perto cases dentro da plataforma Conecta LIR, percebi uma metodologia clara: o Edital Personalizado. Nele, a empresa define critérios como região, tipo de material reaproveitado, perfil do proponente e outras exigências. Uma curadoria especializada seleciona os projetos mais aderentes entre quase 300 aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), oferecendo total segurança jurídica e transparência.

Esse modelo vem sendo cada vez mais citado por companhias que buscam garantir impacto, alinhamento ESG e proteção jurídica em cada aporte feito.

O evento que aproxima empresas e projetos

É impossível não citar neste momento o evento presencial do dia 20/07 no Rosewood São Paulo, que, na minha opinião, representa um marco na conexão entre projetos e investidores de reciclagem. Empresas e iniciativas usam essa janela como última oportunidade para garantir novos aportes antes do fechamento do trimestre, no dia 30/09. Esse é justamente o tipo de ponto de encontro que transforma o ambiente de captação, melhorando o match entre quem precisa de recursos e quem tem disponibilidade para investir.

Ilustração de estrada verde sinuosa passando por natureza estilizada com plantas e montanhas, com símbolo de reciclagem ao fundo e logotipo conecta lir no canto superior direito

Destinação do IRPJ direto para a própria cadeia de produção

Quando conversei com indústrias de grande porte, ficou claro que um dos diferenciais únicos trazidos pela Lei de Incentivo à Reciclagem é justamente a possibilidade de financiar a própria cadeia produtiva usando parte do IRPJ devido. Empresas que já atuam com resíduos, circularidade ou cadeia verde podem beneficiar de maneira estratégica suas próprias operações, incentivando parceiros, cooperativas e fornecedores da base.

Só para lembrar, a participação é exclusividade das empresas do Lucro Real, que podem direcionar até 1% do imposto devido, sem aumentar custos nem afetar o fluxo de caixa. É um modelo que oferece ganho para todos os lados: empresas otimizam a parte tributária e fortalecem seu compromisso ESG; projetos recebem financiamentos e ampliam seu impacto social e ambiental; e o setor público fomenta práticas positivas de gestão de resíduos desde o início da cadeia econômica.

Novos projetos: como e até quando inscrever?

Para quem está de olho no cronograma, o ciclo de aplicações de novos projetos junto ao MMA neste ano vai até 30 de julho de 2026. Se você lidera uma iniciativa relevante, este é o tempo de preparar documentação, alinhar requisitos e buscar uma curadoria experiente que aumente as chances de aprovação.

O processo envolve desde o cadastramento e apresentação de documentos, até a publicação no sistema do SINIR. Um passo a passo seguro faz toda a diferença. Recomendo fortemente conferir orientações detalhadas no guia sobre inscrição de projetos na Lei de Incentivo à Reciclagem para evitar contratempos e garantir que tudo saia conforme esperado.

Grupo de pessoas em mesa apresentando projetos ambientais usando notebook, cartazes de reciclagem e gráficos mostrando crescimento

Se você quer saber mais sobre como funciona esse processo, recomendo acompanhar conteúdos como as novidades e atualizações da Lei de Incentivo à Reciclagem.

Como conhecer projetos, simular destinações e acompanhar tendências?

Conheci inúmeras histórias de empresas que transformaram sua atuação conhecendo melhor os projetos disponíveis e simulando destinações via ferramentas interativas. Plataformas como a própria Conecta LIR oferecem dashboards, relatórios de impacto, IA para recomendação e apoio em tempo real – tudo pensado para agregar praticidade e assertividade ao processo de decisão.

Na ponta, é a tecnologia que reduz burocracias, conecta necessidades e garante compliance para todos os atores envolvidos. E sim, destaco: para captar recursos, visibilidade e presença são tão importantes quanto qualidade técnica do projeto.

Logo da Conecta LIR com texto Transformando Imposto em Impacto

Se quiser entender com detalhes sobre como captar recursos na Lei de Incentivo à Reciclagem recomendo a leitura da matéria completa disponível sobre o assunto.

Podcast Conecta LIR: amplie sua visão com quem faz acontecer

Outra dica indispensável: acompanhe o primeiro episódio do podcast da Conecta LIR, que traz uma entrevista exclusiva com o deputado Carlos Gomes, o autor da Lei 14.260/2021. Um conteúdo rico que mostra os bastidores, desafios, conquistas e perspectivas de quem realmente entende e defende o incentivo à reciclagem no Brasil.

Para ouvir o episódio completo, acesse o artigo especial sobre os impactos do projeto em 2026.

A LIR é ponte: conecta tributos a soluções ambientais reais.

Conclusão

Vivenciei de perto o crescimento da Lei de Incentivo à Reciclagem e, neste segundo trimestre de 2026, vi a sua maturidade saltar aos olhos, não apenas pelos números expressivos, mas pela nova cultura que se desenha entre empresas, projetos e sociedade. A aceleração das destinações, a diversificação de estratégias e a sinergia cada vez maior entre os diferentes agentes mostram que reciclar com incentivo fiscal não é só uma tendência – é a nova realidade brasileira. Se você quer transformar impostos em impactos concretos, fortalecer sua cadeia de valor e ainda deixar um legado de sustentabilidade e inovação, te convido a conhecer mais sobre como a Conecta LIR pode facilitar cada etapa deste processo e potencializar seus resultados.

Conheça a plataforma, descubra projetos, simule aportes, inscreva sua iniciativa ou simplesmente amplie seu repertório. O que transforma o futuro é a ação. E ela começa por aqui.

Perguntas frequentes sobre a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR)

O que é a Lei de Incentivo à Reciclagem?

A Lei de Incentivo à Reciclagem, formalizada pela Lei 14.260/2021, é um mecanismo legal que permite a empresas tributadas pelo Lucro Real destinarem até 1% do IRPJ devido a projetos aprovados de reciclagem, economia circular e gestão de resíduos, promovendo impacto social, ambiental e econômico.

Como funciona a captação pela LIR?

A captação pela LIR se dá quando a empresa calcula o IRPJ devido e direciona até 1% desse valor para projetos previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, sem custo adicional. Os recursos são dedutíveis, e a plataforma Conecta LIR pode facilitar esse processo ao conectar empresas e iniciativas alinhadas a critérios técnicos e legais.

Quem pode ser incentivador na LIR?

Sua empresa pode ser incentivadora se for tributada pelo regime do Lucro Real. Empresas de diferentes segmentos, desde grandes indústrias até companhias de médio porte, podem direcionar parte do IRPJ devido para fomentar projetos de reciclagem, promover sua responsabilidade ESG e fortalecer cadeias produtivas ligadas à economia circular.

Quais projetos podem receber incentivo da LIR?

Podem ser beneficiados projetos que tenham aprovação formal do Ministério do Meio Ambiente, e estejam cadastrados no SINIR. Eles devem atuar nos campos de reciclagem, reaproveitamento de resíduos, economia circular, compostagem, pontos de entrega voluntária, entre outros alinhados às diretrizes da legislação. Veja uma visão detalhada das possibilidades neste artigo sobre projetos aprovados na LIR.

Como participar de projetos da Lei de Reciclagem?

Para participar, é possível inscrever projetos durante o ciclo anual definido pelo MMA, buscar presença ativa junto a empresas incentivadoras, ou ainda, explorar plataformas como a Conecta LIR. Outra opção é acompanhar eventos presenciais, como o do Rosewood São Paulo, que une interessados em impulsionar o setor. Informações detalhadas podem ser encontradas nos guias para inscrições, simulações e conexões publicados em portais especializados.

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Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

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