Quando olho para o futuro do setor de reciclagem no Brasil, percebo claramente um ponto de inflexão. Em 2026, a tão aguardada Reforma Tributária quase inviabilizou o uso de materiais reciclados ao elevar a carga tributária deles para patamares inéditos. E
u costumo ouvir de contadores e empresários expressões como “injusto” ou “preocupante” quando falo sobre o tema. E não é para menos.
A ameaça da reforma tributária sobre a reciclagem
Para
quem ainda não conhece o impacto, explico: a proposta inicial da Reforma Tributária de 2026 previa um salto na tributação dos materiais reciclados, de 6,5% para 26,5%. Isso tornaria a matéria-prima reciclada mais cara do que a virgem. Se a regra tivesse sido implementada sem revisões, simplesmente inviabilizaria a reciclagem no país. Nenhuma empresa pagaria a mais para usar reciclado enquanto o material virgem custa menos. O risco era de colapso de toda a cadeia, com prejuízos ambientais e sociais drásticos.
Houve reação. O Ministério da Fazenda atuou diretamente prometendo neutralidade fiscal para o setor de reciclagem, ou seja, os materiais reciclados manteriam a mesma carga, sem aumento, e quem compra das cooperativas teria direito ao crédito tributário. Catadores e cooperativas continuariam isentos, beneficiando mais de 1 milhão de brasileiros, como detalha a nota do Ministério da Fazenda. O modelo de IVA (IBS + CBS) foi pensado justamente para corrigir distorções entre material reciclado e primário.
Como resultado, evitou-se a extinção do setor. Mas, em minha visão, ainda ficou faltando algo essencial: recursos para ampliação, infraestrutura e modernização das cadeias de reciclagem. A isenção não resolve sozinha o déficit de investimentos.
A Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR): uma aliada estratégica
É aqui que apresento a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), Lei 14.260/2021. Trata-se do principal mecanismo para viabilizar projetos ambientais relevantes no Brasil. Empresas tributadas pelo Lucro Real podem destinar até 1% do IRPJ devido – e pessoas físicas até 6% do IRPF – para projetos de reciclagem aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, sem gastar nada a mais. Esse valor já seria pago de qualquer forma como imposto. A Lei permite transformar imposto em impacto ambiental e social positivo.
Segundo dados do painel integrado à Plataforma+Brasil e informações reunidas pelo SERPRO em março de 2026, já são mais de 1.000 projetos registrados, 292 aprovados para captação de recursos e R$ 622 milhões em parcerias formalizadas, com tickets de R$ 50 mil a R$ 8 milhões por projeto, conforme destacou o SINIR.
Todo o trâmite é realizado de forma digital e segura, com submissão, aprovação e acompanhamento dos projetos dentro da Plataforma+Brasil. O ciclo de submissão ficou aberto até 30 de julho de 2026, como reforçou o Ministério do Meio Ambiente quando lançou esse processo nacionalmente (fonte MMA).
O papel fundamental do contador neste novo cenário
A Lei é clara, eficiente, mas depende de um fator muitas vezes negligenciado: a informação. Na minha experiência, a maioria esmagadora das empresas tributadas pelo Lucro Real nunca ouviu falar da LIR – ou sequer pensou em usar uma parte do seu IRPJ para reciclagem. É aqui que entendo que o contador se torna protagonista. É ele quem está ao lado da empresa nas conversas sobre o novo cenário tributário e pode sugerir alternativas como a LIR durante o planejamento anual. Isso foi detalhado, inclusive, em guias práticos para empresas e contadores (leia o post especifico para contadores).
Com a Reforma Tributária, vai se intensificar o papel consultivo do contador. Agora, além de ajustar à nova carga tributária, o escritório pode apresentar o redirecionamento de imposto para reciclagem como um serviço diferenciado.
Conecta LIR e FENACON: parceria para escalar o impacto
Nos últimos meses, trabalhei analisando o funcionamento da Conecta LIR, a primeira plataforma criada focada exclusivamente na Lei de Incentivo à Reciclagem no país. Em 2026, essa solução passou a atuar em parceria com a FENACON, a maior federação contábil do Brasil, que representa mais de 400 mil empresas, 41 entidades e 100 mil escritórios de contabilidade. Juntos, movimentam cerca de 6,47% do PIB nacional. Percebi o tamanho dessa capilaridade: agora, milhares de escritórios têm à disposição um canal único para direcionar IRPJ de clientes interessados em reciclagem, promovendo mais do que simplesmente cumprir obrigações. Eles tornam o imposto pago em transformação ambiental e social legítima.
- O contador cadastra o cliente no sistema da Conecta LIR
- Escolhe o projeto de reciclagem aprovado, em poucos cliques
- Formaliza e acompanha digitalmente toda a operação
- Garante relatórios ESG e toda documentação validada
Para as empresas, torna-se um caminho transparente para investir em sustentabilidade, reduzindo custos de comunicação e relatórios (ESG). Para projetos, abre acesso direto a recursos já liberados para captação. Todo esse processo segue o trâmite digital via Plataforma+Brasil, facilitando a rotina do contador e dando velocidade para os resultados serem sentidos no mundo real.
- O processo começa com o cadastro do cliente contábil
- O contador seleciona o projeto na própria plataforma conforme o perfil, valor e alinhamento ESG desejados
- Toda a formalização é feita online e acompanhada, inclusive com dashboards e relatórios personalizados
Isso agrega novo valor ao trabalho do escritório, que passa a atuar também como agente de impacto. Para conhecer detalhes do fluxo e benefícios, recomendo a leitura do guia prático para empresas sobre a LIR.
Ciclo aberto, é hora de agir
Só falta disseminar a informação. Esse é o papel dos contadores de agora em diante.
O ciclo está aberto, projetos foram aprovados, e a plataforma da Conecta LIR está disponível para conectar as pontas. Meu conselho para quem atua em escritórios de contabilidade é acessar conectalir.com e oferecer o serviço de redirecionamento do IRPJ para seus clientes do Lucro Real. Empresas podem investir até 1% do imposto devido. Já projetos de reciclagem precisam correr para se inscrever e aprovar sua participação até 30 de julho de 2026, usando os canais no site oficial ou no e-mail contato@conectalir.com.
Contadores atentos às mudanças da Reforma Tributária se transformarão no elo para destravar bilhões em investimentos ambientais, mudando a forma como fazemos reciclagem no Brasil.
Quer avançar nessa direção? Descubra todas as soluções na Conecta LIR, fortaleça seu papel como consultor estratégico e transforme o imposto dos seus clientes em impacto real e positivo.
Perguntas frequentes sobre reciclagem e reforma tributária
O que muda na reciclagem com a reforma tributária?
O principal risco era o aumento significativo da carga de impostos sobre materiais reciclados, tornando-os menos competitivos frente à matéria-prima virgem. Após intervenção do Ministério da Fazenda, foi garantida a manutenção da isenção para catadores e cooperativas e a possibilidade de crédito tributário para empresas compradoras, promovendo neutralidade fiscal (leia a nota do governo aqui).
Como a reforma tributária afeta empresas de reciclagem?
O impacto direto foi a insegurança inicial com o possível custo mais alto dos recicláveis. Depois, com o ajuste da proposta, empresas que compram de cooperativas passaram a poder fazer uso de créditos tributários, ajudando a evitar aumento de custos operacionais.
Vale a pena investir em reciclagem após a reforma?
Sim. Com a LIR, empresas ainda podem investir até 1% do IRPJ devido, e pessoas físicas até 6% do IRPF, em projetos aprovados – sem custo extra, aumentando o diferencial competitivo e gerando valor reputacional e ambiental. Há mais de 1.000 projetos registrados e ciclo aberto, segundo o SINIR.
Quais impostos incidem sobre reciclagem atualmente?
Atualmente, após os ajustes, materiais reciclados mantêm carga reduzida, catadores e cooperativas são isentos, e empresas podem usufruir de crédito tributário na aquisição de reciclados, conforme o regime de IVA estabelecido na reforma tributária.
Como adaptar a contabilidade para o novo cenário tributário?
Recomendo que escritórios de contabilidade busquem informações detalhadas em plataformas especializadas, como a Conecta LIR, e incorporem o serviço de redirecionamento do IRPJ e relatórios ESG. A categoria de tributação da LIR em portais especializados pode ajudar a aprofundar procedimentos e modelos de atuação para o novo ciclo.
