Vista aérea de ponte feita de ícones de dados ligando prédios e cooperativa de reciclagem

No mercado de reciclagem nacional, poucos dados me deixam tão alerta quanto este: 90% dos projetos aprovados pela Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) nunca captaram recursos. São 292 projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, somando R$ 622 milhões em parcerias já homologadas. Mesmo assim, a verba não chega para a grande maioria. Na minha experiência, essa desconexão retrata um gargalo operacional, não um problema legal.

As empresas tributadas pelo Lucro Real têm o direito de destinar até 1% do IRPJ devido para financiar projetos de reciclagem com dedução total. Apesar disso, parcela relevante dessas organizações sequer ouviu falar dessa viabilidade ou desconhece o procedimento necessário após a aprovação do projeto. O resultado? Projetos e cooperativas surjam com o carimbo do governo, mas sem um centavo aplicado.

Por que a captação é tão baixa?

Os números são reveladores: mais de 1.000 projetos cadastrados, 952 submetidos no primeiro ciclo, buscando R$ 2,2 bilhões, mas o volume efetivamente captado segue pequeno. O problema não recai sobre o arcabouço legal. Contamos hoje com a Lei 14.260/2021, regulamentada pelo Decreto 12.106/2024 e detalhada pela Portaria 1.250/2024. O ciclo 2026 já está aberto e o prazo de submissão vai até 30 de julho.

O motivo da baixa execução, pelo que venho acompanhando, é a falta de domínio das etapas pós-aprovação e, principalmente, da abordagem comercial junto às empresas do Lucro Real. Muitos autores de projetos sustentáveis conhecem profundamente seu impacto ambiental e social, mas enfrentam dificuldades ao traduzir esse valor em linguagem comercial e tributária que convença conselhos e CFOs das empresas.

Falar com o CFO é diferente de falar com a cooperativa.

O gargalo entre elaboração e captação

Um dos maiores desafios que presencio é o fosso entre quem domina a elaboração técnica do projeto – com todas nuances do Transferegov, justificativa dos custos administrativos e enquadramento entre os oito temas do artigo 3º da Lei – e quem domina a captação, entendendo as demandas de compliance e argumentos que de fato atraem o investidor corporativo.

  • De um lado, especialistas ambientais não sabem vender.
  • De outro, profissionais comerciais não dominam o detalhamento técnico obrigatório.

As dificuldades práticas aparecem nas reuniões. A empresa pede planilhas, projeções de impacto, garantias. O projeto oferece narrativas ambientais sólidas, mas tropeça na hora de mostrar como o valor será aplicado, justificar custos administrativos ou encaixar nos temas da legislação. Não raro, o projeto não é contratado ou fica para o ciclo seguinte.

Não é a legislação: é execução

É comum ouvir a opinião de que o problema estaria na Lei. Não é isso que vejo. O mecanismo está claro: empresas do Lucro Real podem transferir até 1% do IRPJ para projetos já homologados. A dedução integral está prevista, sem risco ou custo extra, desde que tudo seja bem documentado e tramitado pelo governo.

O ponto crítico é saber como submeter, captar e operar os projetos, maximizando a chance de sucesso e evitando erros básicos como enquadramento incorreto, documentação insuficiente ou abordagem comercial mal direcionada. A execução dessas etapas exige conhecimento prático, que poucos têm.

Como evitar os principais erros?

Ao longo dos anos, percebi que oito são os erros mais comuns na captação de recursos via LIR: desde o desconhecimento dos ciclos de submissão e dos temas aceitos até erros em apresentações para empresas e dificuldade de preparar a documentação exigida no Transferegov.

Para quem quer se aprofundar no tema, recomendo a leitura dos artigos sobre erros comuns na LIR e também sobre como captar recursos na Lei de Incentivo à Reciclagem.

Sala de aula virtual com instrutor e participantes reunidos em torno de telas com gráficos e ícones de reciclagem

Curso prático Conecta LIR: domínio técnico e comercial

Foi com base nessas lacunas que vejo diariamente que surgiu o curso prático da Conecta LIR. É objetivo: formar profissionais e equipes aptos não só a elaborar projetos vencedores, mas também a captar os recursos e operar com segurança jurídica e capacidade de execução.

O curso ocorre nos dias 15 e 16 de abril de 2026, sempre das 19h às 22h, em formato online e ao vivo. O participante tem 12 meses de acesso às gravações, podendo revisar cada etapa quando necessário. As inscrições e detalhes estão em conectalir.com/curso-lir.

Dividido em duas noites, são 6 horas de aprendizado prático, segmentado por focos:

  • Parte técnica com Dra. Yula Merola: Contexto legal, temas aceitos, o que reprova projetos, preenchimento do Transferegov, cálculo de custos, documentação obrigatória e outros pontos onde mais vejo dúvidas e erros.
  • Parte comercial com Alexandre Furlan Braz: Abordagem de empresas do Lucro Real, como apresentar o projeto para o CFO, comparativos com outras leis de incentivo e, principalmente, o fluxo pós-captação para tornar o projeto recorrente e não episódico, aproveitando todo o potencial da plataforma Conecta LIR.
Logotipo da Conecta LIR com elementos de natureza e cidade formando um círculo

O grande diferencial é juntar a visão técnica e a comercial. Muitos cursos ou consultorias tratam essas etapas de forma separada, o que apenas amplia o abismo operacional. Eu vejo na prática: ou a equipe é ótima em enquadramento legal ou é boa na abordagem de clientes – raramente nos dois.

Para quem é o curso?

O público ideal é aquele que quer efetivamente captar recursos e executar projetos financiados. Inclui empreendedores ambientais, cooperativas de reciclagem, consultorias ambientais e profissionais de sustentabilidade interessados em sair da teoria e atuar com projetos rodando e verba aplicada.

Quem só busca conhecer o panorama da sustentabilidade provavelmente ficará frustrado. O curso é prático, pensado para quem quer:

  • Elaborar projetos aprováveis e recorrentes pelo Ministério do Meio Ambiente
  • Preparar apresentação e documentação que o CFO pede
  • Aprender os detalhes do Transferegov – que, admito, confunde muita gente
  • Evitar erros que barram a captação na reta final

O ciclo já está aberto, o relógio corre

O ciclo 2026 já começou, com janela de submissão até 30 de julho. Passado esse prazo, só no ano seguinte. Eu reforço: as empresas decidem sobre o uso do imposto até dezembro. A janela de captação é curta. Se o projeto não estiver ajustado, não capta – vi isso mais de uma vez acontecer, inclusive com iniciativas promissoras.

Equipe empresarial analisa projeto de reciclagem em ambiente industrial

Para se aprofundar nos processos, recomendo a leitura do guia prático de incentivos à reciclagem e outros conteúdos em Lei de Incentivo à Reciclagem.

Conclusão: Execução faz toda a diferença

Em minha trajetória, já participei da montagem de projetos que nunca saíram do papel por detalhes simples de execução. Com a regulamentação já madura, recursos disponíveis e demanda crescente, o sucesso depende de dominar a jornada completa: da elaboração à captação e operação recorrente, conectando o técnico ao comercial. O curso prático da Conecta LIR é, na minha visão, o caminho mais direto para quem quer resultado concreto e impacto ambiental real:

A Lei está pronta, o recurso existe. Falta executar bem.

Se você quer captar recursos de verdade e contribuir para a reciclagem do Brasil, recomendo fortemente conhecer o trabalho da Conecta LIR como a ponte entre empresas do Lucro Real e projetos ambientais sérios e homologados pelo governo. Aproveite a janela de inscrição do curso para dominar todas as etapas e realmente fazer a diferença.

Perguntas frequentes

O que é a LIR para reciclagem?

A LIR, ou Lei de Incentivo à Reciclagem, permite que empresas do Lucro Real destinem até 1% do IRPJ devido para financiar projetos aprovados de reciclagem, economia circular e gestão de resíduos, com dedução total do valor aportado. Conta com regras específicas, homologação pelo Ministério do Meio Ambiente e exige boa execução das etapas após aprovação.

Como captar recursos usando a LIR?

É preciso elaborar um projeto dentro dos temas admitidos pela legislação, submeter no Transferegov e ter aprovação formal. Após isso, o foco deve ser a abordagem eficiente a empresas do Lucro Real, demonstrando segurança jurídica, impacto comprovado e documentação inteira em ordem. Recomendo buscar cursos e conteúdos detalhados como o da Conecta LIR para dominar esse processo.

Quais os principais erros ao usar LIR?

Os erros mais recorrentes incluem: enquadramento incorreto do projeto, documentação incompleta, abordagem comercial ineficaz, erro no uso da plataforma Transferegov e falta de argumentos sólidos para convencer executivos do Lucro Real. Focar só na parte ambiental e esquecer o financeiro praticamente elimina as chances de captação. Veja mais detalhes neste artigo sobre erros comuns.

Vale a pena investir em reciclagem via LIR?

Sim, se o objetivo é ampliar o impacto ambiental e social do projeto, alinhado a estratégias ESG das empresas, e existe domínio das etapas práticas para captar e operar os recursos. A isenção tributária e o potencial de networking com grandes empresas tornam a LIR uma ferramenta de impacto real.

Onde encontrar apoio para projetos LIR?

A melhor fonte prática hoje é a Conecta LIR, que oferece curso, plataforma de matchmaking e acompanhamento técnico desde a elaboração até a operação dos projetos. Também recomendo os guias práticos e artigos atualizados sobre a LIR e os conteúdos da própria categoria da Lei de Incentivo à Reciclagem.

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Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

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