Executivos de empresa brasileira em reunião com líder de projeto de reciclagem

Ao longo da minha trajetória acompanhando o universo ESG e as ferramentas inovadoras que surgem no Brasil, uma das maiores mudanças de perspectiva que já vi está materializada na Lei de Incentivo à Reciclagem, a LIR. Tenho percebido, em conversas com gestores e responsáveis pela sustentabilidade nas empresas, que uma dúvida muito comum é: como transformar uma obrigação fiscal, o IRPJ já devido ao Fisco, em uma parceria sólida com projetos de reciclagem aprovados no país, sem custo extra e de forma alinhada ao ESG?

Reciclagem e compromisso ESG podem andar juntos.

O que significa investir com a LIR?

A LIR, Lei nº 14.260/2021, foi criada para abrir uma avenida de oportunidades: empresas tributadas pelo Lucro Real podem destinar até 1% do IRPJ devido anualmente para projetos previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente. Essa atuação não gera nova despesa, só muda o destino do imposto.

Pessoalmente, considero incrível como essa lei permite estruturar uma relação comercial, segura e transparente, onde a empresa literalmente escolhe fomentar soluções ambientais dentro do próprio setor. Em vez de apenas "pagar impostos", passa a integrar redes de impacto positivo. E todo o processo é controlado, só entram projetos aptos, auditados e publicados no SINIR, o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos, o que elimina dúvidas frequentes que encontro em treinamentos corporativos.

Como funciona: os 3 momentos para investir

Empresas podem escolher três datas ao ano para realizar a destinação do imposto: até 30 de junho, 30 de setembro ou 31 de dezembro. Essas janelas são períodos estratégicos porque trazem duas garantias: praticidade para cumprir as regras fiscais e a chance de avaliar os projetos disponíveis e escolher parceiros que realmente dialoguem com a realidade da empresa.

  • 30 de junho: a primeira janela para destinação no ano. Fundamental para empresas que querem já planejar o uso dos incentivos e garantir espaço em projetos muito procurados.
  • 30 de setembro: o segundo ciclo, que permite ajustar estratégias e aproveitar projetos que surgiram no decorrer do ano.
  • 31 de dezembro: a última oportunidade do ano, e algumas empresas preferem deixar para esse momento, mas há um detalhe importante: muitos projetos se esgotam antes dessa data!

Sempre ressalto: não há desembolso novo, o que ocorre é uma realocação inteligente do IRPJ. Isso tranquiliza equipes financeiras e mostra, com fatos, que é possível criar impacto positivo sem comprometer o caixa.

Parcerias que criam valor no setor de atuação

Uma das coisas que mais me impressiona é como os projetos financiados via LIR se transformam em verdadeiros parceiros e canais de inovação dentro da própria cadeia das empresas. Vou compartilhar cenários reais que já observei:

  • Indústrias de bebidas: Ao apoiar projetos de reciclagem de vidro, criam, de fato, um canal para logística reversa das embalagens. Esse tipo de iniciativa posiciona a empresa como protagonista em circularidade e fortalece a relação com consumidores e reguladores.
  • Transportadoras: Parcerias com projetos focados em reciclagem de pneus inservíveis possibilitam destinação rastreável desses resíduos, atendendo exigências legais e dando transparência ao ciclo de vida dos produtos.
  • Varejistas e eletrônicos: Projetos de logística reversa para eletroeletrônicos viabilizam a destinação correta de devoluções e equipamentos descartados, um desafio crescente conforme a digitalização avança.
Parceria de verdade cria impacto visível para todos.

Oportunidades reais: panorama dos projetos aprovados e exemplos concretos

Quando pesquisei a fundo o universo da LIR, notei um dado acima de tudo: existem atualmente 292 projetos aprovados para captação de recursos pela Lei de Incentivo à Reciclagem. Esses projetos abrangem desde logística reversa e compostagem até inovação em reciclagem têxtil e apoio a cooperativas de catadores.

Destaco três exemplos que me marcaram e mostram a diversidade e robustez dos projetos:

  • PAR Brasil: Localizado em São Paulo, focado em logística reversa de eletroeletrônicos, já aprovado para captar até R$ 7,99 milhões.
  • Belmonte Soluções Sustentáveis: Em Pará de Minas (MG), especializado na reciclagem de vidro, com captação aprovada de R$ 7,02 milhões.
  • Cotton Move: Barueri (SP), com atuação em reciclagem têxtil inovadora, captando R$ 7,06 milhões.

Se quiser aprofundar, recomendo o material sobre exemplos e resultados de projetos LIR que compilei, que mostra diferentes soluções em andamento na Lei de Incentivo à Reciclagem.

A robustez dos números impressiona e foi assunto recente em debates legislativos: só em 2025, segundo levantamento oficial, foram destinados R$ 66 milhões via LIR a projetos ambientais, enquanto no primeiro trimestre de 2026, outros R$ 10,5 milhões já foram encaminhados para novas iniciativas. O volume é crescente e tende a crescer ainda mais, especialmente pela visibilidade dos benefícios de ESG, cada vez mais exigidos pelo mercado e investidores.

Painel mostrando três projetos de reciclagem em destaque na captação LIR, representando setores de eletroeletrônicos, vidro e têxtil, dispostos em um fundo claro, com gráficos e ícones coloridos de reciclagem e sustentabilidade

Captação de recursos: o caminho até o impacto

Vejo valor em explicar como funciona a captação de recursos dentro da LIR: uma vez que o projeto é aprovado pelo MMA, ele é publicado no SINIR e pode receber as transferências dos impostos destinados pelas empresas interessadas. Esse caminho garante transparência, já que tudo pode ser acompanhado publicamente no painel do SINIR.

Além disso, a operação é 100% digital, ocorrendo via plataforma TransfereGov, que simplifica etapas e reduz o tempo necessário para concluir a destinação. Na minha atuação, já vi como burocracias travavam incentivos no passado. Agora, com esse sistema, ficou fácil e rápido.

Ilustração de estrada verde sinuosa passando por natureza estilizada com plantas e montanhas, com símbolo de reciclagem ao fundo e logotipo conecta lir no canto superior direito

Aproveito para compartilhar que, analisando o painel nacional, notei como as empresas mais engajadas são aquelas que criam relacionamento regular com os projetos. Aliás, com a Conecta LIR, esse processo fica ainda mais claro, é possível comparar perfis, receber recomendações inteligentes, e fechar parcerias que duram além do mero repasse financeiro.

Relatórios ESG e reputação: benefícios vão além do incentivo

Há ganhos que extrapolam a esfera do imposto. O investimento via LIR pode ser comunicado como ação efetiva de sustentabilidade, compondo relatórios de ESG, campanhas institucionais e comunicados ao mercado.

Devemos lembrar que relatórios anuais de ESG valem ouro, principalmente no diálogo com investidores, clientes e até órgãos reguladores. Ser transparente e mostrar destinação rastreável do imposto impulsiona reputação e agrega valor de marca.

Transformar imposto em impacto rende mais do que sair no balanço.

Costumo dizer: isso representa, na prática, uma forma de transformar um valor já pago em imposto em ativo de reputação, marketing ESG e relacionamento institucional. E tudo sem novo custo.

Quem quiser estudar mais sobre as vantagens do ponto de vista da governança e sustentabilidade, sugiro também consultar a categoria sobre ESG aplicada à LIR.

Reunião de gestores em uma sala de empresa analisando relatórios ESG com gráficos de reciclagem e impacto ambiental na tela

O evento Conecta LIR 2026: onde negócios e impacto se encontram

A participação em eventos focados, como o Conecta LIR, faz diferença. Em 12 de agosto de 2026, em São Paulo, empresas e projetos estarão, literalmente, na mesma sala, trocando experiências, fechando negócios e fortalecendo laços entre economia real e soluções ambientais. As vagas são limitadas e ainda não foram divulgados local e horário, mas tenho convicção de que quem busca informação de qualidade e oportunidades reais deve ficar de olho nesse encontro.

É uma excelente chance para conhecer exemplos práticos, entender mais estratégias de ESG com especialistas e construir conexões fundamentais para o futuro do setor.

Pessoas em evento de networking conversando sobre projetos de reciclagem com banners da Conecta LIR e materiais ecológicos ao fundo

Janelas de 2026 e o prazo final da LIR

Fundamental para quem planeja o orçamento: a primeira janela de destinação em 2026 encerra em 30 de junho, as seguintes em setembro e dezembro. Vale lembrar que a própria Lei de Incentivo à Reciclagem expira em 31 de dezembro de 2026. Ou seja, quem atua agora colhe frutos reais no curto e médio prazo, em alinhamento pleno com as metas ESG do momento.

No último ciclo de propostas para a LIR, o Ministério do Meio Ambiente recebeu 952 projetos de 26 estados, somando R$ 2,2 bilhões em pedidos de investimento, uma resposta que mostra a força e relevância da lei para o setor ambiental brasileiro Segundo dados do governo federal.

Em audiência pública recente, foi apresentado um volume total de R$ 3 bilhões mobilizados pela LIR em investimentos, ampliando de forma significativa a economia circular e fortalecendo cadeias de valor de resíduos sólidos. A lei já é fonte de modernização, geração de empregos e fortalecimento de cooperativas de catadores, comprovando seu papel como instrumento de fomento à circularidade na economia nacional.

Conclusão: Por que investir via LIR é uma decisão inteligente?

Em minha análise, investir pela Lei de Incentivo à Reciclagem transforma o imposto em ferramenta ativa de inovação ambiental e de fortalecimento da governança. Levando em conta que não há custo adicional, mas sim a realocação estratégica do que já seria pago ao Fisco, o impacto pode ir muito além do esperado. Essa escolha fortalece a agenda ESG, deixa legados positivos para o setor, otimiza relatórios e reputação, além de conectar empresas a soluções robustas, auditadas e em sintonia com o futuro da economia circular.

Para quem deseja conhecer mais estratégias, ver relatos reais e entender o funcionamento prático, recomendo também o guia de destinação de imposto via LIR para projetos ESG e o guia rápido para empresas entenderem a LIR.

Agora é o momento. Aproveite a janela de oportunidades, posicione sua empresa entre as líderes do futuro sustentável e fortaleça o seu impacto com a Conecta LIR. Venha transformar imposto em legado positivo!

Perguntas frequentes

O que é a Lei de Incentivo à Reciclagem?

A Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) é uma legislação federal (Lei 14.260/2021) que permite a empresas tributadas pelo Lucro Real destinarem até 1% do IRPJ devido para apoiar projetos aprovados de reciclagem, economia circular e gestão de resíduos. Ela tem como foco alinhar a estratégia tributária das empresas aos objetivos ambientais e sociais, sem gerar custo adicional, transformando o imposto devido em aporte direto para projetos sustentáveis.

Como investir em projetos de reciclagem via LIR?

Empresas devem calcular o valor do IRPJ devido e escolher um ou mais projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, disponíveis no portal SINIR. A destinação (até 1% do imposto) deve ser feita dentro das três janelas anuais (junho, setembro e dezembro), após análise do perfil do projeto, formalização do interesse e processo de transferência digital. O acompanhamento pode ser feito também através de plataformas como a Conecta LIR, que facilitam o match entre empresas e projetos e auxiliam na gestão do incentivo.

Quais são os benefícios ESG da LIR?

A LIR eleva a governança e transparência das empresas, fortalece a reputação junto a clientes e reguladores e proporciona impacto positivo ambiental e social. Além disso, minimiza riscos legais, viabiliza geração de emprego e renda na cadeia da reciclagem e impulsiona o relato de ações efetivas em relatórios ESG, tornando as empresas referências em sustentabilidade.

Como funciona a captação de recursos pela lei?

Projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente são publicados no SINIR, tornando-se aptos a captar recursos de empresas motivadas pelo incentivo fiscal. O repasse é realizado digitalmente e pode ser acompanhado em tempo real, com todo o compliance, auditoria e relatórios assegurados. O SINIR disponibiliza informações atualizadas sobre cada proposta, valores captados, incentivadores e situação do projeto.

Vale a pena investir em incentivos de reciclagem?

Sim, pois viabiliza impacto ambiental comprovado, gera retorno reputacional, fortalece canais de logística reversa e consolida a empresa como agente ativo na cadeia ESG, tudo sem aumento de despesas fiscais. Além disso, o valor investido retorna em aproximação de parceiros estratégicos, inovação corporativa e aderência a legislações sustentáveis de ponta no Brasil.

Compartilhe este artigo

Quer gerar impacto alinhando tributos e sustentabilidade?

Descubra como sua empresa pode investir em projetos de reciclagem via Lei de Incentivo à Reciclagem. Saiba mais!

Simular benefício fiscal
Alexandre Furlan Braz

Sobre o Autor

Alexandre Furlan Braz

Alexandre Furlan Braz é apaixonado pelo desenvolvimento sustentável e pelo potencial das leis de incentivo para transformar a sociedade. Atua como redator e web designer, mantendo-se atualizado com as tendências de reciclagem, economia circular e responsabilidade social corporativa. Seu interesse está em conectar empresas a projetos de impacto, promovendo soluções inovadoras alinhadas a metas ambientais, sociais e de governança.

Posts Recomendados