Quando penso em desafios ambientais urgentes, não há como ignorar a questão dos lixões a céu aberto na América Latina. Em 2024, na Sessão Especial do Fórum de Ministros e Ministras do Meio Ambiente da América Latina e Caribe, no Rio de Janeiro, nasceu um pedido claro: atacar com prioridade as emissões de metano dos resíduos e promover, de uma vez por todas, o fechamento progressivo dos lixões.
O motivo? O metano é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento muito superior ao do dióxido de carbono. E os lixões ativos, que passam de 10.000 em todo o continente latino-americano, são grandes emissores deste gás, ameaçando a saúde pública e o clima global.
Contexto alarmante: números que saltam aos olhos
Algo que sempre me chama atenção nas pesquisas é a imensidão do problema: cerca de 45% dos resíduos municipais da América Latina não têm uma gestão adequada. Isso significa que quase metade do lixo produzido simplesmente não recebe o destino correto, o que amplifica a emissão desenfreada de metano.
Além disso, a maior parte do resíduo sólido urbano é lixo orgânico. Mais de 50% do total descartado vem de restos de cozinha, comida, folhas e resíduos biodegradáveis, mas impressiona saber que menos de 3% disso é aproveitado com reciclagem, compostagem ou outras formas de recuperação. O restante apodrece e libera metano sem qualquer controle.
Reduzir o metano dos lixões é uma urgência ambiental e de saúde coletiva.
Como nasceu o programa? Uma resposta conjunta da região
A proposta de criar o Programa Regional de Cooperação para Redução de Emissões de Metano na América Latina não surgiu do acaso. Foi uma resposta conjunta de ministros e equipes técnicas à necessidade urgente de mudar esse cenário.
O documento base desse programa foi elaborado sob liderança da Coalizão Voluntária para o Fechamento Progressivo de Lixões na América Latina e Caribe, com coordenação técnica da equipe regional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e apoio da Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC). Esse modelo de construção coletiva chama a atenção pela força colaborativa, algo que vi se repetir poucas vezes em políticas ambientais multinacionais.
O que o programa propõe?
Durante a leitura do documento técnico, percebo que o programa coloca foco total em soluções integradas para toda a cadeia de gestão dos resíduos sólidos. Não se trata de olhar apenas para o destino final, mas atuar em todos os elos:
- Prevenção: incentivos para redução dos resíduos na fonte, educação ambiental e fomento à separação correta nas residências e comércios.
- Valorização dos materiais: ampliação de reciclagem, compostagem de resíduos orgânicos e recuperação de materiais, com mecanismos econômicos que atraiam investimentos para essas soluções.
- Melhoria na infraestrutura de disposição final: promover o fechamento progressivo e ambientalmente seguro de lixões, substituindo-os por sistemas de destinação final com menor impacto e tecnologia que capture o metano produzido, convertendo-o em energia limpa sempre que possível.

Esses pontos me lembram da relevância da Lei de Incentivo à Reciclagem, que conheci na minha atuação com a Conecta LIR, pois mostram como políticas públicas podem funcionar como aliadas da inovação e da responsabilidade social corporativa.
Por que agir sobre o metano agora?
Ao trabalhar com projetos ambientais, um dado nunca sai da minha cabeça: o metano permanece na atmosfera por menos tempo que o CO₂, porém seu efeito no aquecimento é muito mais intenso.
Cortar emissões de metano é uma das formas mais rápidas de desacelerar o aquecimento global. Isso me faz ver o fechamento de lixões e o aproveitamento dos resíduos orgânicos como um dos caminhos mais impactantes para quem quer gerar diferença real. Ainda vejo que políticas integradas, como a LIR, e plataformas que conectam empresas a projetos sérios têm papel-chave nesse processo.
Destaques do documento regional
Uma passagem que considerei marcante no documento técnico fala sobre o ciclo integrado sugerido pelo programa latino-americano. Ele propõe que os países avancem em três linhas:
- Reverter a informalidade com políticas públicas consistentes;
- Aumentar condições para que resíduos sejam vistos como recursos econômicos, ampliando a atuação do setor privado e comunitário;
- Melhorar as condições para o financiamento de iniciativas locais e nacionais que visem não só a redução do metano, mas também a geração de emprego e promoção da economia circular.
Essas linhas dialogam de maneira direta com o que venho observando no trabalho da Conecta LIR: conectar projetos qualificados, atraindo recursos de empresas interessadas em resultado social, ambiental e econômico. A plataforma ajuda empresas a destinarem o imposto já pago para projetos de impacto na gestão de resíduos, compondo soluções alinhadas com os objetivos do programa regional, como avaliar o impacto socioambiental de cada iniciativa.

Ao narrar experiências e analisar políticas públicas inovadoras, percebo que o avanço só se sustenta com educação ambiental, governança eficiente, modelos econômicos atrativos e participação social. O programa latino-americano, ao reconhecer isso, indica caminhos para que a região supere desafios crônicos e transforme lixo em solução.
Conclusão
Eu vejo neste programa um passo firme e coletivo rumo a uma América Latina menos poluente e mais saudável. O ataque às emissões de metano nos lixões envolve vontade política, integração de setores, participação ativa das empresas e do cidadão comum. Projetos como a Conecta LIR já mostram como é possível transformar imposto em impacto real, incentivando empresas a investirem diretamente na economia circular e na redução do metano.
Se você quer fazer parte dessa transformação, conecte sua empresa, seu projeto ou seu interesse cidadão à Conecta LIR e descubra como tributo pode virar resultado positivo para o planeta e a sociedade.
Perguntas frequentes
O que é a redução de metano em lixões?
A redução de metano em lixões consiste em adotar estratégias para evitar a geração e dispersão desse gás, altamente poluente, produzido quando resíduos orgânicos apodrecem sem tratamento adequado. As principais medidas envolvem fechar lixões, ampliar a reciclagem, implantar a compostagem e captar o biogás para aproveitamento energético.
Como funciona o programa latino-americano?
O programa foi criado em resposta à demanda de governos da América Latina e Caribe. Ele propõe intervenções integradas: educação ambiental, incentivo à redução e separação na fonte, reciclagem, compostagem e substituição dos lixões por sistemas que capturem o metano liberado, evitando que chegue à atmosfera.
Quais os benefícios de reduzir metano?
Os principais benefícios incluem diminuição do impacto climático, prevenção de doenças ligadas ao mau gerenciamento de resíduos, valorização da cadeia de reciclagem e maior geração de empregos verdes. Além disso, fortalece políticas de economia circular e sustentabilidade.
Como participar do programa de redução?
Empresas, governos locais e organizações sociais podem atuar em parceria com programas aprovados de gestão de resíduos, investindo ou desenvolvendo iniciativas que promovam fechamento de lixões, compostagem e reciclagem. A Conecta LIR, por exemplo, conecta empresas a esses projetos, facilitando a adesão e acompanhamento dos resultados.
Onde encontrar informações do guia completo?
Para quem deseja informações mais detalhadas sobre políticas públicas, recomendações técnicas ou o próprio programa, recomendo visitar seções especializadas sobre políticas públicas ligadas à reciclagem e gestão de resíduos, que oferecem materiais e estudos completos.
